7 mecanismos de morte em doenças neurológicas

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As doenças neurológicas, neurocirúrgicas e psiquiátricas afetam o cérebro e todo o sistema nervoso de várias formas distintas. No entanto, aquelas potencialmente mais letais, como o traumatismo craniano, a meningite e o AVC, podem causar a morte a partir de um número reduzido de situações, expostas a seguir.

doencas-neurologicas

1. Aumento da pressão dentro do crânio

Hipertensão intracraniana. Essa é uma das causas mais comuns de morte por doenças neurológicas. O aumento da pressão dentro do crânio pode ser generalizado, mas também focal, e as causas são inúmeras, desde um traumatismo craniano grave até um acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano, conhecido por hidrocefalia. O cérebro, quando submetido à elevação da pressão intracraniana, sofre em nível microestrutural (dificuldade no transporte de nutrientes, alterações do metabolismo celular), mas também sofre em nível macroestrutural (porções do encéfalo são empurradas umas sobre as outras, causando compressão e danos, por vezes, irreversíveis).

2. Falta de oxigenação cerebral

Hipóxia cerebral. A falta de oxigenação cerebral pode ser um fenômeno primário ou secundário. Primário, por exemplo, quando as células nervosas encontram-se “intoxicadas” e não conseguem extrair o oxigênio da corrente sanguínea. Secundário, quando ocorre uma parada respiratória em um afogamento, por exemplo, e não há oxigênio na corrente sanguínea em quantidades suficientes para servir às exigentes células do tecido nervoso. Nos primeiros segundos, sem oxigênio, ocorre a perda de consciência. Em seguida, se o problema não for resolvido, pode haver morte celular.

3. Deficiências na nutrição cerebral

Desnutrição. Como dito anteriormente, o metabolismo das células cerebrais, principalmente entre os neurônios, é acelerado e requer grandes quantidades de alguns nutrientes, dentre os quais, a glicose é o principal. Outros componentes, também importantes, são a vitamina B12 (ciano-cobalamina), a vitamina B6 (piridoxina), vitamina B1 (tiamina), aminoácidos (fenilalanina e triptofano), minerais (magnésio, zinco, manganês) e alguns lipídeos essenciais (como fosfolipídeos, especialmente a fosfatidilserina; e os ácidos ômega 3 de cadeia longa EPA e DHA). A desnutrição por inanição ou por desordens genéticas do metabolismo pode ocasionar sofrimento cerebral e, na sequência, morte neural.

4. Excesso de atividade das células nervosas

Hipermetabolismo. O exemplo típico é o estado de mal epiléptico. Alguns indivíduos mais predispostos podem apresentar crises epilépticas atípicas, que se prolongam mais que o habitual. Nessas condições, as células cerebrais aumentam consideravelmente as taxas metabólicas, e pode ocorrer elevação da temperatura cerebral. Tudo isso em conjunto compromete o bom funcionamento do cérebro e, se o tratamento não for instituído a tempo, a pessoa pode vir a falecer.

5. Falhas do programa genético

Doenças genéticas. Desordens genéticas podem alterar vários aspectos fisiológicos do sistema nervoso. Distúrbios do metabolismo, defeitos de formação do tecido nervoso, distúrbios comportamentais auto degradantes, maior predisposição à doenças degenerativas e neoplásicas, ou mesmo uma maior predisposição às formas graves de epilepsia. Embora tenda a se correlacionar de forma secundária aos processos que levam à morte, ocasionalmente pode vir a ser a causa básica, como ocorre nos casos de natimortos anencéfalos;

6. Anormalidades nas conexões comportamentais

Distúrbios psiquiátricos. Talvez, essa seja uma das causas mais difíceis de diagnosticar e conduzir numa tentativa de se evitar o pior. Distúrbios neuronais vinculados ao comportamento podem induzir ou provocar psicopatias que se caracterizam por comportamentos autodestrutivos e homicidas. De qualquer maneira, uma anormalidade deste tipo costuma ser a causa para outros eventos mais diretamente relacionados com o dano cerebral irreversível.

7. Inflamação

Encefalites. As inflamações graves alteram de forma significativa o funcionamento das células, impedindo um metabolismo adequado. Há alterações da acidez do meio para níveis incompatíveis com a vida, má circulação, má perfusão, inchaço, lesão direta causada por agentes infecciosos, obstrução ocasional da circulação do líquido cefalorraquidiano, dentre outras coisas que podem levar a uma irrecuperável destruição cerebral.

Vale ressaltar que muitos desses processos ocorrem de maneira associada, simultaneamente, ou em uma cascata de eventos mórbidos.

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