Já passou ou está chegando aos 30? Você precisa ler isso

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A expectativa de vida dos brasileiros gira em torno dos 70 anos. Mas, será que a vida útil do cérebro também acompanha essa idade?

Muita gente anda preocupada com o futuro do próprio cérebro. Lapsos de memória, problemas de concentração, velocidade reduzida de raciocínio e desregulação emocional são apenas algumas das condições temidas. Nunca se exigiu tanto das funções cognitivas; o mundo está acelerado e perdemos o senso de produtividade diante de tanta informação. A internet publica diariamente inúmeras dicas e fórmulas voltadas para otimizar as funções cerebrais e, mais do que isso, preservá-las. Às vezes, ficamos perdidos…

Por outro lado, a ciência avança. Os cientistas conseguiram determinar recentemente quando é que o cérebro começa a apresentar um declínio de suas funções. E pasmem! É muito mais cedo do que se pensava…

Em 2009, Timothy Salthouse, pesquisador da Universidade da Virgínia, divulgou um estudo que avaliou as habilidades cognitivas de 2 mil pessoas. Confira os resultados:

  • Auge: o pico do funcionamento cerebral é aos 22 anos, permanecendo otimizado por aproximadamente 5 anos;
  • Declínio: a partir dos 27 anos, a maior parte das funções cerebrais começa a declinar;

Olha o que acontece quando você completa 30 anos de idade…

Memória -17%velocidade mental -27,3% raciocínio lógico -37,5%.

A explicação que os cientistas atribuem a esses dados é evolutiva. Segundo eles, o pico de atividade cerebral parece acompanhar a idade reprodutiva. Apesar de cada vez mais adiarmos a concepção de descendentes, ou mesmo optarmos por não termos filhos, por questões morais, religiosas e/ou econômicas, a faixa etária que vai do final da adolescência e se estende aos 30 anos continua sendo a mais propicia biologicamente para a concepção. Passado isso, o cérebro meio que entraria em um estado de latência funcional. Questionável… admito.

cérebro-memória-está-morte

Não criemos pânico!

Estamos desenvolvendo mais e mais alternativas para retardar esse declínio funcional neurológico; já utilizamos em larga escala estratégias para freá-lo. Reconhecemos comportamentos errados que podem interferir na saúde dos nossos neurônios, e temos a opção de mudar o curso do nosso destino.

Além disso, o mesmo estudo norte-americano citado acima revelou que certas habilidades, como a linguagem verbal, continuam a se desenvolver por décadas. Especificamente, até por volta dos 60 anos.

Por milhares de anos ampliamos a nossa expectativa de vida, que era estimada em 30 anos na época em que os nossos ancestrais ainda viviam nas cavernas. Está na hora de ampliar também a nossa capacidade cerebral ao longo do tempo. O que você tem feito para isso?

A propósito, os velhinhos até que estão acompanhando bem a evolução das tecnologias. Será que os idosos estão ficando mais inteligentes? Descubra a resposta neste link.


40 COMENTÁRIOS

  1. O site é ótimo sim. As matérias são relevantes para quem se interessa em aprender, em especial, sobre si mesmo. O funcionamento do próprio cérebro, suas funções, e outros. Desta forma, mecanismos podem ser desenvolvidos para cada caso. Nem todos respondem da mesma forma aos mesmos estímulos.

    As pessoas têm muitas dúvidas sobre a “deterioração” cerebral que ocorre naturalmente durante o processo de envelhecimento. Mas, para sorte daqueles que continuam aprendendo, esse processo pode ser desacelerado. O aprendizado constante, atividade física e mental, a alimentação, são fatores que ajudam a retardar os efeitos. Ou seja, o estilo de vida pode ser determinante neste aspecto.

    No exame pós mortem das áreas cerebrais, muitas vezes se percebe que há grandes partes lecionadas, morte de tecido, mas que quase nada se percebeu durante a vida do paciente. O motivo é justamente a chamada Neuroplasticidade, mas como bem informado pelo Dr. Leonardo, ela tem sua limitação.

    A dica é aprender e aprender sempre. Palavras cruzadas ajudam até certo ponto, depois que você fica muito bom, aí já tem que partir para outra atividade. O ideal são várias atividades desafiadoras ocorrendo sempre. Música por exemplo. Aprender a tocar um novo instrumento. Idiomas, aprender a falar um novo idioma irá desenvolver várias outras funções quem sabe esquecidas.

    O legal é que quanto mais se aprende, mais fácil se torna um novo aprendizado. Aprender o seu primeiro segundo idioma, pode ser até difícil, mas o terceiro fica mais fácil, o quarto melhora muito mais.

    A dica é, atividade desafiadora sempre, mas não estressantes. Novas habilidades motoras ajudam bastante. Pessoas com problemas de esquecimento sem dano em áreas encefálicas, provavelmente, também seja o efeito da neuroplasticidade, só que, maléfica. Ocorre pela falta de uso do cérebro. Tal qual um músculo, se não usa determinada área, função, o cérebro logo reconhece a não necessidade, e assim atrofia.

    Prof. Waldez Pantoja, especialista em Neurociências Clínica.

  2. Com todo o respeito ao profissional, mas a matéria soa negativa. Aborda o problema com grande ênfase e não menciona possíveis soluções para amenizar. A andragogia tem mostrado excelentes resultados em aprendizado de adultos. Que as perdas vêm com a idade é sabido, vamos trabalhar as soluções

  3. Ola ,meu nome é Moisés batista,eu tenho 27 anos
    gosto muito de aprender sobre tudo um pouco…
    eu agora estou fazendo curso de inglês…
    gosto de ler uma matéria que seja envolvente como essa ,quando a leitura e de fácil entendimento …eu viajo na leitura e quando percebo eu já li mais do que imaginei que eu poderia…mas também gosto te ler e aprender significado de palavras difíceis … mas também tenho preguiça ,as vezes eu tento mas não consigo dar continuidade,talvez por que a linguagem escrita seja muito técnica e me dificulta intender…como documentos de empresas ou regulamentos sei la…vira uma receita ou diagnostico farmacêutico.
    não tenho raciocínio rápido e ate lógico ,demoro a perceber alguma piada ,ou trocadilho …observo que muita pessoas pensão iguai e acho muito maneiro quando uma completa a frase da outra …isso me deixa maravilhado ,e triste por não conseguir ser assim … não tenho assunto ,não sou popular ,tenho muitas dificuldades ate de decidir minha própria vida ,daí eu procuro artigos que me estimule a pensar e decidir o que e bom pra mim…
    aprendendo a interagir sobre alguns assuntos …
    e isso e muito legal e importante pra mim que já tenho 27 anos e me sinto um pouco desatualizado de tudo .

    • Amigo, me identifiquei muito com seus comentarios, a principio você tem muitos dos sintomas de DDA Transtorno do Deficit de Atenção, sugiro procurar um bom neuro ou psiquiatra para te ajudar no diagnostico, pois as comorbidades deste transtorno são ansiedade, baixa auto-estima e depressão. al[é de trazer sérios transtornos aos relacionamentos conjugais. Sou Professor de Educação Física e estudante de Psicopedagogia.

  4. Tenho 34 anos e de uns 3 anos p ca to ficando assustada c minha memoria esqueço as coisas em questao de segundo n adianta forçar q n lembro tenho medo pois ja tive caso de alzaimer na familia Dr isso e da idade ou estress q temos no dia a dia

  5. Acredito que o segredo esta na forma como exercitamos nosso cerebro no dia a dia, estou com 27 anos, se houver declinio na minha memoria pode ser pelo trauma que ja tive na cabeça mas duvido muito que seja pela idade, e tambem duvido que daqui a 3 anos passe a ter problemas tambem. Abraços

  6. Tudo isso já era esperado .Agora o que temos que fazer para reverter essa situação? Gostaria de respostas. Obrigada

  7. Deveriam mudar o título, e a forma como o texto foi conduzido… o texto funciona como um tiro para quem se aproxima dos 30 . Falta de sensibilidade!

  8. Este artigo é muito bom, apesar de ser The Unidet States, o Neurologista Brasileiro é um exemplo de adaptação para apta o estudo a nossa realidade. Dar muitos exemplo de atividades de estímulo cognitivo e de mudança do comportamento, que entre as vezes entre aspas, não é usado pela medicina, usando somente o método tradicional do usode medicamentos.
    Att,
    Samuel Morais Vieira
    Psicólogo cognitivo comportamental
    Professor de Psicologia
    concursado Psicólogo na Educação

  9. Quero parabenizar o autor pelo artigo, mas principalmente pela forma polida e profissional como respondeu a alguns comentários, que nem sempre caminharam por esta mesma linha. Soube dialogar citando argumentos científicos e sem se deixar provocar, mantendo o foco do tema em questão. Isso é que é autocontrole e um bom exemplo de funções cognitivas bem preservadas.

  10. Sabia que iria me arrepender de ler o artigo. Você só diz que aos 30 nos tornamos retardados e não apresenta nenhuma solução. Preferia não ter lido.

    • Bom dia Mara! De forma alguma mencionei ou sugeri que por volta dos 30 anos nos tornamos “retardados”. O termo é pejorativo e não cabe aqui. Esse é um artigo baseado em um estudo científico muito sério realizado pelo pesquisador Timothy Salthouse, da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Neurobiology of Aging. No final do artigo, citei algumas soluções paliativas para “frear” a fisiologia natural do cérebro. Sim, todas acabam sendo paliativas. Por todo o site MeuCérebro, aliás, compartilhamos exercícios cognitivos que podem ajudar nesse processo. Visite por favor a nossa sessão Interativo. Abraços!

  11. Sempre tive uma memória deplorável(por exemplo sempre me esqueço que palavras ou expressões usar), mas uma capacidade de raciocínio enorme desde criança. Até hoje meu raciocínio assusta as outras pessoas e muitas pessoas até colegas de trabalho tem problemas em acompanhar meu raciocínio quando eu sugiro uma solução!

    Sempre fui ruim em lidar com estímulos visuais porém a abstração de ideias me foi sempre natural e consigo extrapolar ideias, objetivos e problemas de forma muito veloz, dinâmica.

    Tenho 31 anos e questiono se está informação é verídica!

  12. Parabéns doutor!!!
    Seus argumentos baseados em profundo conhecimento científico realmente esclarece , não deixando dúvidas quanto a veracidade.
    Tolos aqueles que criticam por desconhecer.

  13. Ha algum teste que possamos fazer para avaliar precocemente o inicio do declinio cognitivo? Qual a idade para fazermos estes testes?

    • Sim Edilene. Um dos exames mais utilizados é o Mini Exame do Estado Mental (Minimental Test), amplamente utilizado para detectar traços de demência e deterioração cognitiva, principalmente na idade senil e pré-senil. No entanto, o exame precisa ser interpretado por um profissional capacitado.

    • Olá Marina! Uma série de medidas podem ser tomadas, como leitura, socializar com amigos, prezar por alimentação balanceada, que supra as vitaminas e demais nutrientes essenciais ao corpo no dia a dia, resolver exercícios de estimulação cognitiva, como palavras-cruzadas e jogos com números e cálculos. Além disso, preservar a saúde do cérebro, combatendo a hipertensão arterial, tendo um sono de qualidade, combatendo o sedentarismo e o diabetes, praticando atividade física regular e evitando o trabalho ininterrupto. Bom, essas são apenas algumas dicas. Abraços!

      • Olá Leonardo. PARABÉNS. O comentário mais sensato, correto e elucidativo. O cérebro é o último órgão do ser humano a envelhecer. As pessoas podem prolongar a agilidade do cérebro através de tudo o que você falou. Com o avanço da idade,obviamente, ocorrem algumas limitações como:
        aprende-se mas demora um pouco mais para aprender. Mas muitas vezes é falta de interesse e não algum problema no cérebro SADIO. Com relação ao artigo devemos olhar apenas como uma referência científica sem considerar determinismo. O ser humano ainda é jovem pois temos apenas 6 milhões de anos versus inicio da vida na Terra há 4,5 bilhões de anos. Estamos ainda evoluindo conforme C.Darwin na Origem das Espécies de 1859. O negócio é tocat a vida e cuidar bem do coração, (por tabela cuida-se do cérebro) AMAR – LAZER – AMIZADES – e também tomar umas e outras com amigos periodicamente. Senão vamos viar Santos.
        Abs. Mario Bonamici,68 anos Coach de Empresas com Neurociência-Neurolinguística-Neuromarketing-Neurosales. Em tempo: USAMOS 100% DO potencial do cérebro. Aquela conversa de APENAS 10% É UM TREMENTO MITO E PAPO FURADO.

  14. quanta bobagem… como um medico escreve isto? sera que ele nunca ouviu falar em neuroplasticidade? sera que ele sabe que um cerebro de um jovem de 22 anos sendo pouco “desafiado” sera menos “funcional” que de uma pessoa mais ativa? que este poderá ter mais conexões nervosas?

    • Boa tarde Marcos. É cientificamente comprovado (e provado por uma simples observação da vida de um indivíduo) que a idade cerebral é um processo biológico associado com a diminuição das funções sensoriais, motoras e cognitivas, e que só nos últimos anos vem sendo melhor compreendido pelos cientistas. Isso é tão verdade que os achados encontrados por neuropatologistas ao examinarem os cérebros de pessoas que faleceram, e que eram diagnosticadas com Alzheimer, são esperados também no cérebro de indivíduos “normais” e que venham a alcançar a faixa etária dos 120 anos.

      Trabalhos estimam que após os 100 anos, a perda da conectividade cerebral, relacionada à senescência, pode chegar a 40%. Outro dado que me é familiar, pois lidou diariamente com exames de imagem de cérebros de pessoas de várias idades, é que, ao longo dos anos, o encéfalo se atrofia lentamente. Isso é visível. Há perda neuronal.

      A plasticidade cerebral tem os seus limites. Mas, por conta dela, conseguimos retardar o processo natural de deterioração cognitiva. Veja: retardar, mas não interromper.

      Sabe-se que tais alterações plásticas não são homogêneas e dependem da interação dos indivíduos com o ambiente. Para melhor se compreender a plasticidade cerebral ao longo da idade, deve-se começar por entender que, com a exceção dos neurônios dos grupos celulares das monoaminas no mesencéfalo e prosencéfalo basal e algumas áreas do córtex pré-frontal dorsolateral, não há realmente uma perda significativa dos neurônios durante o processo normal da idade. Isto tem sido demonstrado sobretudo em áreas do cérebro relacionadas com a aprendizagem, memória e outras funções cognitivas centradas no hipocampo e no córtex cerebral. Contudo, outras regiões do cérebro, particularmente algumas áreas do córtex pré-frontal e hipocampo, sofrem uma diminuição do volume com a idade, e esta diminuição pode ser produzida pela diminuição da densidade sináptica.

      Ser funcional, como você cita no comentário, não remete na totalidade às imposições genéticas próprias de cada cérebro. Uma vassoura pode ser mais funcional do que a sua mão, na proposta de juntar a sujeira do canto da sala.

      Bobagem, por sua vez, é uma palavra perigosa. Uma perda de 1% da densidade neuronal na região parietal esquerda, associada à inteligência espacial, pode ser muito mais trágica do que a perda de 10% da densidade neuronal na região primária da fala, quando tomamos como exemplo dançarinos.

      A verdade é que existe uma deterioração fisiológica das funções mentais com a idade, na média geral, e na população estudada no artigo. Claro! Não encaremos as verdades como absolutas, muito menos os argumentos.

      Abraços!

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