Os 7 pecados das finanças pessoais

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Hoje você vai descobrir que alguns comportamentos podem te levar para uma versão do inferno ainda em vida. Conheça os 7 pecados das finanças pessoais, e para onde você vai quando os pratica.

[dc]B[/dc]oa parte da humanidade sustenta a crença de que as pessoas pagarão pelos erros cometidos nesta vida em outra. É a noção de que, se alguém pratica certas condutas, acabará indo para o inferno, o lugar mais desagradável que se possa imaginar. Mas hoje, você vai descobrir que alguns comportamentos podem te levar para uma versão do inferno ainda em vida. Conheça os 7 pecados das finanças pessoais, e para onde você vai quando os pratica.

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Você pode não alcançar o céu se pecar com as finanças pessoais…

1. Desorganização

Não manter um controle mínimo sobre os seus gastos é um erro grave, que custará caro. Fazer um orçamento doméstico e manter um fluxo de caixa, ainda que rudimentar, é uma tarefa bastante simples e que qualquer um pode fazer. Não precisa ser um contador formado para isso: basta utilizar um caderno ou uma planilha para tomar nota de tudo que se gasta e depois subtrair da renda. Se o resultado não é positivo, você precisa mudar algumas coisas em sua vida.

> punição: O Mar da Insanidade

Legiões de seres humanos estão à deriva neste mar onde ninguém jamais encontra terra firme, porque nunca se preocuparam em seguir uma rota. É o que acontece quando você não faz ideia do quanto gasta e com o que.

2. Prodigalidade

Quando você não aguenta ver uma oferta e sua casa parece mais um estoque de loja de penhores, você tem um problema. Não planejar o consumo, comprar o que não precisa, não fazer poupança, são todas facetas do mesmo comportamento de quem é pródigo, que é gastar até o último centavo – e as vezes ir além.

> punição: O Labirinto dos Medíocres

Lá você encontrará milhões de almas que não saberão o que fazer de suas vidas se perderem o emprego ou adoecerem. Vagam como gado pelos corredores de um shopping center infinito, onde passam seus cartões de crédito, sem jamais ficarem satisfeitas nem construírem patrimônio. Eventualmente, essas pessoas acabam no Oceano do Arrependimento, do qual trataremos adiante.

3. Endividamento

Uma decorrência natural da Desorganização e da Prodigalidade, o endividamento deixa o indivíduo mais pobre porque os juros passam a corroer sua renda. Não há problema financeiro que não possa piorar com uma dívida.

> punição: O Vale do Desespero

Situado entre o Morro dos Otários e as Montanhas do Status, esse vale reúne uma variedade interessante de pessoas de origens diversas: funcionários públicos, profissionais liberais, autônomos, empresários e outros trabalhadores. O vale se torna cada vez mais profundo, porque seus habitantes tentam escapar dele escavando (rolando dívidas).

4. Ignorância

Às vezes, o sujeito é organizado, não faz dívidas estúpidas e até tem uma poupança, mas porque nunca se preocupa em conhecer o mercado financeiro, toma as piores decisões possíveis ao aplicar seu dinheiro. Concentra todos os seus recursos na poupança, títulos de capitalização, previdência privada e outros fundos de renda fixa. Não se atenta para as perdas inflacionárias, taxas de administração, performance e carregamento, nem considera outros investimentos em renda fixa cuja rentabilidade pode ser até 70% maior, como as LCI.

> punição: O Deserto dos Derrotados

Ninguém jamais conseguiu atravessar esse longo e inóspito deserto. Bravos trabalhadores depositaram o resultado dos esforços de uma vida nessa empreitada, mas a inflação é como a areia que afunda sobre os seus pés enquanto faz erguer outra duna adiante. Você não vai conseguir construir patrimônio escolhendo caminhos ruins.

5. Vaidade

Se você for católico, a vaidade vai ter peso 2. É a clássica necessidade de provar algo a terceiros através da aparência. Se o que você busca através do consumo é status e não a satisfação das suas necessidades – ou se o status faz parte das suas necessidades –, você está perdido. Tratamos o status como uma doença em Sem dinheiro???? Você pode estar doente…

> punição: As Montanhas do Status

Uma altíssima e gélida cordilheira que os alpinistas sociais tentam escalar, só para encontrarem o vazio de suas vidas nos topos. Frequentemente eles caem no Vale do Desespero.

6. Ingenuidade

O ser humano é temente do perigo e ávido pelo lucro. Acrescente a isso uma dificuldade enorme de mensurar risco e poderemos entender com clareza como é que as pessoas ainda conseguem cair em golpe de bilhete premiado e pirâmides financeiras. A verdade é que a maioria está tentando colher o que nunca plantou, está atrás de um atalho, de conceber algo a partir do nada, nem mesmo uma atitude. Pessoas maliciosas sabem disso e se aproveitam para vender ideias de lucro rápido e fácil aos descuidados. O brasileiro é um caso curioso nesse sentido: menos de 0,5% da população investe no Mercado de Ações, porque a maioria esmagadora considera muito arriscado. No entanto, cidades inteiras, como Lucas do Rio Verde – MT, quebram porque investiram em massa em Marketing Multinível. Veja você mesmo.

> punição: O Morro dos Tolos

Esse morro é o lar de todos aqueles que pararam para ouvir homens que diziam ter um segredo para a riqueza e o sucesso. Eles acabaram convencendo essas pessoas a subirem o morro, onde encontrariam as realizações prometidas. Antes, no entanto, era preciso pagar um preço. Apesar de ser muito fácil subir esse morro, cedo ou tarde as pessoas descobrem que não há nada lá.

7. Irresponsabilidade

Talvez o maior de todos os pecados a serem cometidos nas finanças pessoais seja a irresponsabilidade. Fingir que um problema não existe não faz com que ele deixe de existir. Nesse sentido, não há nada mais irresponsável do que não planejar a aposentadoria, o que infelizmente é a realidade para a maior parte dos brasileiros. Seja porque não tem a menor ideia de como fazer esse planejamento, ou porque não tem interesse no assunto, ou porque não parou para pensar que a velhice vai chegar – se a morte não vier antes –, o brasileiro não tem o hábito de planejar a aposentadoria. No máximo, se dispõe a fazer uma aplicação mensal nas previdências privadas, enquanto conta religiosamente com a previdência estatal (sabe-se lá porquê).

> PUNIÇÃO FINAL: O OCEANO DOS ARREPENDIMENTOS

Banhando toda a extensão do inferno financeiro, existe um gigantesco oceano. Com milhares de anos-luz de extensão, composto pelas lágrimas de todos esses pecadores. No fim de suas vidas, todos se encontrarão para lá afogarem juntos, enquanto, entre um gole e outro da água salgada, desferem lamentos como: “Eu não devia ter financiado aquele utilitário esportivo!”, “Se ao menos eu pudesse ter contratado um juro melhor!”, “Por que eu fui investir na telexfree?”, “Como é que eu ia saber que podia sair com menos dinheiro do que apliquei naquela previdência?”, “Não é minha culpa, na escola não ensinaram nada disso!”, “Eu era muito novo, só queria me divertir um pouco mais!”, “Eu achei que o governo ia segurar minha barra agora que estou velho e doente!”…

Imagem: goo.gl/tUWuDN

8 COMENTÁRIOS

  1. Preciso mencionar também que como CATÓLICA de verdade (que participa das missas, procura os sacramentos, atua na comunidade, respeita e procura viver conforme a doutrina da igreja, lê a bíblia, reza regularmente, inclusive o terço, . . .) me senti ofendida quando mencionou que a vaidade tem peso 2 no caso de católicos.
    Entendo porque escreveu isso e até concordo, pois realmente temos muitos irmãos meramente vaidosos, que se declaram católicos para manter uma aparência, mas na verdade só denigrem nossa querida igreja com suas atitudes e escolhas. Mas a forma como você colocou isso no texto não nos separa, não nos diferencia, você acabou generalizando e rotulado nos vaidosos milhões de pessoas que não são e isso é difamação, você vai para a “colina dos ofensores” se não se livrar desse pecado!

  2. Lucas, amei seu texro, principalmente pela escolha que fez de abordar esse tema “chatérrimo” de forma tao criativa, o que me fez ler até o fim e descobrir que tenho mais um problema pra resolver, nessa vida. Não sei como minha alma se dividirá em 5, pois dos 7 locais de punição que citou, só não vou para o “Labirinto dos medíocres” e para as “Montanhas do status”.
    Já que é um entusiasta do voluntarismo, que tal me ajudar a resolver isso hem?

  3. Texto delicioso… parabéns pela humor! É … meu velho tio dizia que “dinheiro não aceita desaforo” …rs rs rs… cedo ou tarde ele dá o troco do mau uso…hehe

    A ideia é brincar com o Inferno de Dante da Divina Comédia, né? Show!

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