Por que os políticos odeiam os novos aplicativos

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A possibilidade de ver pessoas compartilhando voluntariamente e resolvendo seus problemas, sem depender de uma autoridade burocrática central é alarmante para os que fizeram do Estado o seu meio de vida.

A moda agora é compartilhar…

Se você não esteve em coma nos últimos dez anos, você já deve ter ouvido falar de Economia Colaborativa ou Compartilhada. Talvez tenha passado batido por essas denominações, mas com certeza esbarrou e se lembra de uma das suas filhas: coworking (compartilhamento de ambiente de trabalho), crowdsourcing (obtenção de ideias a partir do trabalho de um grande grupo de pessoas indefinidas), cocriation (participação de clientes e concorrentes no processo de produção) e crowdfunding (financiamento coletivo).

colaborar aplicativos
O segredo da nova fase do capital é colaborar.

O conceito de Economia Colaborativa é um formato de negócio onde não se vende os bens em si, mas o acesso a eles. Uma das formas como isso ocorre é colocar alguém que precisa de alguma coisa em contato com alguém que oferece essa coisa, cobrando uma taxa por esse contato. Muito confuso? Vai ficar esclarecido em breve.

Embora esse modelo de negócio já exista desde a década de 90, uma combinação de fatores desencadeou a sua definição como tendência, dentre eles, podemos identificar com clareza a expansão da banda larga móvel e a necessidade de reformulação dos modelos produtivos em função da crise de 2008.

Em sua essência, a Economia Colaborativa tem a descentralização completa da própria atividade. Não confundam com a terceirização, palavra que foi eleita o demônio da vez no Brasil. Não há contratação de serviços de outras empresas. Na verdade, não há contrato algum, somente o de utilização do aplicativo. O produto ou serviço é provido das seguintes maneiras:

tipo de provedor orientação plataforma

É de se esperar que profundas alterações no modo de produção acarretem em profundas alterações na sociedade. De fato, a Economia Colaborativa tem se mostrado um incômodo para alguns governos e para negócios tradicionais, como táxis, hotéis e até mesmo telefonia. Os governos sempre tratam de serrar os primeiros degraus da escada econômica, para viabilizar monopólios e cartéis privados. Mas essa nova fase do capitalismo contorna as regulamentações de uma forma e velocidade tais, que quando o Estado – debaixo de toda a sua ineficiência- vem a tomar conhecimento, a coisa já tomou uma proporção irrefreável. Acreditem, a Economia Colaborativa veio para ficar, então é melhor tomarmos conhecimento de como ela funciona e de que forma podemos nos beneficiar.

UBER

No Brasil, o exemplo mais recente foi o aplicativo UBER, que deixou os taxistas irritados, uma vez que transforma cada usuário em um taxista, mas sem os altos custos de licenciamento. O aplicativo funciona de uma maneira tal que qualquer usuário pode solicitar ou oferecer um serviço de transporte. Ele utiliza o GPS para colocar o usuário em contato com os fornecedores mais próximos. O cliente vai solicitar a corrida do fornecedor que tiver a melhor relação entre preço e avaliação. As avaliações, por sua vez, são feitas por usuários após as corridas. O UBER, por sua vez, cobra uma taxa pelo serviço. Detalhe importante: a empresa não possui nenhum veículo.

Em um primeiro momento, o apelo dos taxistas contra o aplicativo e os transportadores “irregulares” ou “clandestinos”, pode parecer justo, mas é preciso estar atento para alguns detalhes: todos os serviços de transporte no Brasil são extremamente regulamentados e funcionam através de concessões de monopólios privados. É por isso que normalmente um taxista não é dono do táxi, ele dificilmente terá a fortuna necessária para adquirir a licença, que em São Paulo, pode chegar a R$150.000,00, isso no mercado paralelo. O custo de uma corrida de táxi no Brasil também dispensa comentários. A quem isso interessa? Certamente não a quem deseja trabalhar como taxista e muito menos ao consumidor.

AIRBNB

Presente em mais de 30.000 cidades pelo mundo, a proposta do aplicativo é parecida com a do UBER, mas aplicada a hospedagem. Proprietários de imóveis podem utilizar o Airbnb para anunciar suas casas e apartamentos para temporadas. A Airbnb também não possui imóveis e utiliza um sistema de reputação semelhante aos de sites de leilões. Trata-se de uma startup de São Francisco, EUA, que se tornou o cartão de visitas deste modelo de negócio.

RELAYRIDES e ZIPCAR

Esse é somente para aqueles que não tem ciúmes do carro. Sabe aquelas 16 horas por dia em que o seu carro fica parado, metade em casa e metade no trabalho? Você pode alugá-lo enquanto não está usando. Mais ou menos como o UBER, só que para aluguel de carros. Com o equipamento certo instalado no seu carro, o cliente pode abrir e fechar as portas, bem como acionar a ignição pelo aplicativo, sem que você precise sequer ver quem usou. Usuários e provedores são avaliados.

Diferente do Relayrides, que é um serviço P2P (e portanto, o fornecedor do aplicativo não é proprietário dos veículos), o Zipcar oferece além do P2P, uma frota própria de veículos estrategicamente posicionados nas cidades onde prestam o serviço. Isso gera um custo a mais para o usuário, mas aumenta a confiabilidade.

TASKRABBIT

Sabe consertar um chuveiro? Pintar uma parede? Pilotar uma churrasqueira? Fazer uma faxina? Ou não consegue fazer nada disso direito e precisa de alguém que faça por você? Seus problemas acabaram. O Taskrabbit vai colocar clientes em contato com provedores dos mais variados serviços domésticos, por uma pequena taxa. Excelente alternativa para quem está desempregado ou quer fazer uma grana extra no tempo livre. Quem diria que sua mão de obra não poderia ser uma valiosa mercadoria?

TIME BANKS

Famosos na Espanha, os bancos de tempo são iniciativas sem fins lucrativos, onde pessoas trocam conhecimentos lecionando e assistindo cursos. Uma forma gratuita de adquirir mais qualificação enquanto está desempregado, por exemplo. Ensine algo que você sabe e aprenda algo que não sabe. Todos saem ganhando.

MAKERSPACES

Os Makerspaces são espaços físicos destinados as pessoas que desejam se reunir para trocar recursos, conhecimento, trabalhar em projetos e construir coisas. Esses espaços possuem ferramentas e uma infraestrutura adequada. Os Makerspaces são baseados e inspirados na cultura hacker, são lugares de exploração e experimentos tecnológicos, desenvolvimento de máquinas e protótipos. Inventores de diversos perfis são atraídos por um ambiente onde a pesquisa não é acadêmica, mas livremente direcionada. Muitas vezes os experimentos envolvem participação remota de usuários de internet e até mesmo outros makerspaces, o que encoraja a cooperação. É um ambiente formidável para estudantes que pretendem tomar controle do próprio aprendizado e serem donos dos próprios projetos. É o lugar favorito de usuários de impressoras 3D, onde constroem, testam e compartilham seus projetos com outros usuários.

FACEBOOK

Em nenhum outro negócio o produto é mais você do que o Facebook. Trata-se de uma empresa de mídia, que não vende mídia, mas o contato entre o cliente e a mídia. O Facebook é a rede social que possui a maior quantidade de usuários no mundo, mais suas preferências registradas a cada clique. Os clientes do Facebook compram isso, o acesso da propaganda aos clientes certos.

Planeta Terra S2 Economia Colaborativa

Os keynesianos vão detestar essa história de pessoas compartilhando produtos, espaço e serviços sem um forte controle de uma autoridade central, mas o fato é que o aumento da demanda nos mercados secundários diminuem a demanda nos mercados primários. Em outras palavras, as vendas de produtos novos irão cair, e não há impressora de dinheiro nesse mundo capaz de mudar isso. O planeta agradece!

Os políticos não vão gostar

[column]políticos nervosos economia[/column][column]Grande parte desses negócios já são detestados há alguns anos nos países de primeiro mundo. Políticos progressistas alegam que se resumem a formas de evasão de normas trabalhistas, fiscais e regulamentações. Uma crítica no mínimo desonesta, embora não seja mentira em sua totalidade. A intenção é sim escapar de tributos e regulamentações, pois elas inviabilizam a inovação da mesma forma que o feudalismo inviabilizava o próprio conceito de propriedade. Os benefícios dessa nova fase do capitalismo são evidentes demais para serem ignorados. Além das já mencionadas, outra vantagem dessa tendência da Economia Colaborativa é que com tanta oferta de produtos e serviços, ninguém será obrigado a pagar por um produto mais do que ele vale.[/column]
A possibilidade de ver pessoas cooperando voluntariamente e resolvendo seus problemas, sem depender de uma autoridade burocrática central é alarmante para os que fizeram do Estado o seu meio de vida. Somente nesses exemplos citados, nós conseguimos soluções elegantes para o trânsito nas cidades, meio ambiente, espaço urbano, economia doméstica, desemprego e educação. Imaginem as possibilidades!

Um parênteses do editor (o seu cérebro já sabia disso)

Broca, Wernicke e tantos outros tentaram estimular a identidade da mente pelo escrutínio de suas partes. Não dá para negar a importância dessas descobertas. Entretanto, após muitas pesquisas, onde os neurocientistas puderam acompanhar pessoas com lesões cerebrais, a teoria vigente tende a ser diferente. Mais importante do que o desempenho das partes isoladas, é o funcionamento do cérebro como órgão integrado. Outro exemplo é o da aprendizagem colaborativa. Quando os sentidos colaboram para captar alguma informação, o aprendizado é mais fácil.

Co-autor: Leonardo Faria

Imagens: goo.gl/CDoxmygoo.gl/MDKCeA

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