Relacionamento amoroso: como saber se vai durar?

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Já ouviu falar em inteligência emocional? Provavelmente esse termo não lhe é estranho, certo? Já falamos sobre isso neste artigo.

Mas o foco aqui é discutir um assunto que arrepia (de amor e e ódio) muita gente: relacionamento amoroso. Especialmente o casamento. Se tem uma coisa que é FUNDAMENTAL para o relacionamento a dois durar é ela: a inteligência emocional.

O que é emoção?

Mas, antes, recapitulemos: o que é emoção? Daniel Goleman, no livro “Inteligência Emocional: A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”, entende a emoção como “sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos e uma gama de tendências para agir”.

Alguns teóricos propõem que as emoções têm até famílias. No caso do amor, os membros seriam: aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão, ágape.

Pesquisas mostram que a qualidade no relacionamento amoroso é a mais importante variável para a felicidade global da pessoa; problemas conjugais interferem ativamente na saúde mental e atrapalham também a vida no trabalho.

Relacionamento amoroso e inteligência emocional

As emoções tóxicas que, segundo alguns estudiosos, são “medo, ira, raiva, ódio, ciúmes, vergonha, inveja, amargura, ressentimento, orgulho, egoísmo, tristeza”, podem causar alergias, problemas de pele, gastrite, obesidade, dores de cabeça.. e por aí vai. Mulheres devem ter mais atenção devido à sensibilidade; segundo pesquisas há um índice alarmante de mulheres doentes mentalmente. 70% das doenças têm como fatores não a genética, mas os traumas e estresses da vida.

Outros estudos confirmam que aquele que regula e compreende as emoções tem melhor saúde mental.

Mais pesquisas defendem que, não só para manter o amor, mas também uma empresa, é imprescindível ter inteligência emocional.

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Vamos seguindo.

O que é inteligência emocional no relacionamento amoroso?

Logo vamos aprofundar mais, mas, em termos gerais, é saber gerenciar de forma inteligente as suas emoções, a do seu (sua) parceiro (a), buscando “casá-las” de forma harmoniosa. Empatia é uma das palavras-chave. Eita tarefa difícil, para alguns, não?

Os tempos atuais são de mudanças significativas no contexto das relações conjugais, em que alguns teóricos acreditam que não existe mais modelo dominante e mantenedor do casamento. As relações têm se sustentado muito nas necessidades afetivas e emocionais.

Outros acreditam que o aumento no número de divórcios (EUA: dos que casaram em 1890, 10% se divorciaram; entre aqueles que se casaram a partir de 1990, a probabilidade subiu para 67%) é por conta da queda das pressões sociais que mantinham os casais unidos. Para Goleman, inclusive o mais infeliz deles.

Fato: é preciso parar para pensar nas suas emoções. E nas do seu cônjuge. Vejamos abaixo algumas coisas que podem destruir o casamento. Esteja de coração aberto para refletir um pouco, porque você pode começar a ler e já sentir raiva lembrando daquilo que seu cônjuge fez ontem, ou lá em 1998. Calma lá!

O que você faz quando seu (sua) parceiro (a) faz algo que te irrita?

Como agir no relacionamento amoroso

Xinga? Grita? Ri para não chorar? Faz aquela cara irônica? Ou tenta conversar de maneira calma mesmo que esteja supitando por dentro?

Eis um exemplo (real, divulgado no livro de Goleman e cuja análise merece ser compartilhada aqui):

(Fred: Você pegou minha roupa na lavanderia?

Ingrid – arremedando – : “Você pegou minha roupa na lavanderia?” Pegar a porra da sua roupa na lavanderia. Tá pensando que sou sua empregada?

Fred: Seria difícil. Se fosse empregada, pelo menos saberia lavar roupa.)

Eita.

Este casal participou de uma pesquisa dirigida por John Gottman, psicólogo da Universidade de Washington especialista em inteligência emocional no âmbito dos casais. Nas rigorosas microanálises dos vídeos que continham os dicursos exaltados de casais (como esse da Ingrid e do Fred) ele faz um mapeamento das emoções “subterrâneas”.

Gottman analisou períodos de “flores e espinhos” em mais de 200 casais e conseguiu prever com mais de 90% de exatidão quais deles iriam se divorciar. Ingrid e Fred foi um deles.

Se você faz uma crítica contundente, em vez de uma queixa, ao seu cônjugue, e com frequência, cuidado: seu casamento pode estar por um fio.

Mas, como assim crítica contundente? “Tem que criticar mesmo uai, ele não se importa nada comigo. Sempre estraga tudo”.

A pessoa X O fato

Crítica contundente no relacionamento amoroso

Crítica contundente: quando você agride a pessoa, e não o fato. A queixa é sinônimo de inteligência emocional. A Ingrid poderia ter respondido: “Esqueci, meu bem. Desculpe. Você pode pegar dessa vez? Estou muito sobrecarregada”. Mas a gente sabe, no relacionamento a dois, tudo fica mais aflorado. Tanto o amor quanto o ódio e os membros das famílias de ambos. Mas a grosseria do casal não resolveu o problema, né?

Não entendeu? Mais um exemplo: seu marido vai ao bar com os amigos e atrasa um pouco para o jantar de vocês no restaurante novo que abriu logo ali. Aí la vem você: “Afff, não tem jeito mesmo, ele sempre estraga tudo. Egoísta, egocêntrico”. Você o atacou globalmente. Definiu o caráter com base nessa atitude.

O revirar de olhos

Quem nunca deu aquele revirar de olhos irados, indignados? Pois é, é um destruidor de relacionamentos. Na pesquisa, foi constatado que o desprezo frequente do marido pode causar na mulher de gripes até infecções na bexiga. Os batimentos cardíacos aumentam de dois ou três por minuto nessa guerra fria.

Se é expressada repugnância quatro vezes em 15 minutos, o sinal silencioso é de divórcio dentro de quatro anos. Só relembrando que a pesquisa do Gottman tem 94% de exatidão.

Entra mudo e sai mais mudo ainda

Da série: quem nunca? Deixar o cônjuge conversando sozinho, não falar uma palavra sequer e sair como uma pluma, ou ficar ali mesmo, como se fosse um quadro.

Na pesquisa do Gottman, retirar-se da conversa com uma expressão de silêncio cortante foi observado em casais a beira de um desastre. Em mais de 80% dos casos, o marido era quem se fechava, e a mulher, bem irada, atacava. É a busca por alívio por meio de jogadas contrárias: a mulher querendo discutir a relação e o homem querendo tudo menos isso. Outra pesquisa com mais de 150 casais duradouros mostrou esse embate.

Lembrando: para toda regra, exceção. São estudos.

O dilúvio vem aí

Choro fácil no relacionamento amoroso

Os comportamentos e atitudes citados acima e vários outros, quando recorrentes, podem provocar uma inundação no relacionamento. Quando tudo está por um fio, é quando um casamento está inundado de sequestro emocional, um boicotando o outro com vários pensamentos verbalizados ou nem sempre. Uma inundação é a frequência dessas angústias emocionais vividas pelo casal.

A ausência de inteligência emocional no relacionamento, que tem por consequência a inundação, leva junto a lucidez e traz a distorção e outras atitudes. Aquela vontade insana de sair correndo e largar tudo é uma delas.

Quando você discute com seu cônjuge: se seu coração tem 10, 20 ou até 30 batidas a mais do que quando você está em repouso, olha lá hein!

“Ah, até parece que eu vou contar meus batimentos cardíacos nessa hora”.

Então só observe esse “calor” da discussão. Respiração difícil, músculos extremamente tensos, emoções totalmente intensas que você não consegue nem raciocinar direito, de tanta indignação, são sinais importantes. Pior ainda é se isso for frequente, porque uma vez ou outra é natural.

É claro que todo relacionamento tem bons e maus momentos. Tem desafios. Tem crises. Tem problemas. Tem imprevistos. E é por isso que é preciso ser emocionalmente inteligente também no amor!

A inteligência emocional no amor

Inteligência emocional nos relacionamentos

Já sabemos que em uma discussão com seu cônjuge, as emoções ficam a beira de uma explosão e às vezes é muito difícil controlar. Acabam saindo palavras desnecessárias, fora do contexto, antigas (aquele famoso “jogar na cara algo de 10 anos atrás”)… e por aí vai.

Vimos também alguns itens que contribuem e muito na separação dos casais. Agora vamos aos conselhos de experts na área.

Quem quiser ter um relacionamento duradouro precisa respirar fundo agora e principalmente na hora de uma discussão e lembrar que: homens e mulheres lidam de forma diferente com as emoções.

Isso é comprovado cientificamente, vários pesquisadores se debruçam sobre esse tema. O cérebro do homem é diferente do cérebro da mulher.

Homens

Pensem antes de ficar mudos. Apesar de haver vários motivos pela hostilidade da mulher, tentem entender que ela está se queixando como forma de querer melhorar o relacionamento. (Nossa, jamais! Só quer gritar e não resolve nada). Neste caso, tentem dar o primeiro passo. Tentem ouvi-las (de verdade mesmo, prestando atenção) e compreendê-las (é diferente de concordar e aceitar tudo) e, caso elas façam a crítica contundente é o momento de você falar: opa! Vamos parar e recomeçar.

Mulheres

É difícil, mas seria importante respirar fundo antes de sair vomitando aquele tanto de palavras grosseiras no marido. Focar na atitude, e não atacar o caráter da pessoa, é um bom começo. Desprezar o cônjuge como um todo por conta de uma atitude, não pode (mesmo que seja recorrente, é preciso conversar, sem brigas; isso, além de aliviar as tensões, resolve os problemas…). Quando pensar: “ele não liga para mim”, “não aceito mais isso”.. pense mesmo: é verdade isso? E as outras coisas que seu marido faz no relacionamento? Agora, se você constatar, quando estiver “sóbria”, que ele realmente é o que você diz, é outra situação que não vem ao caso aqui.

Tente algo mais difícil ainda: expressar sua raiva com amor. O relacionamento precisa de diálogo (não se lê – monólogo) respeitoso e sempre buscando demonstrar o afeto, a admiração e o carinho que um tem pelo outro.

PS: mesmo que o relacionamento inclua parceiros de idades muito diferentes, que vivam longe um do outro, que sejam do mesmo gênero sexual ou de culturas muito diversas, as mesmas dicas podem funcionar. Vale a ressalva de que só mais recentemente a ciência tem se debruçado verdadeiramente no estudo desses “novos” relacionamentos.

XYZ

Acalme-se, dê uma folga para você ou ele (ela) caso a explosão comece. Haim Ginott recomenda o XYZ. É tentar dizer: “Quando você fez X, me fez sentir Y e eu preferia que você, em vez disso, fizesse Z”.

Olha que resumido e eficiente!

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Não há ira que resista…

Amor sem fim

Controlar os impulsos e saber manifestar as emoções também são sinônimos de inteligência emocional. Difícil é, como diz Goleman, “não admira que possamos agir numa briga conjugal como se estivesse em causa a nossa própria existência”.

Desculpar-se, tentar mostrar outros pontos de vista… sabemos que não é fácil destreinar o cérebro para reagir às respostas aprendidas no início da vida durante frequentes momentos de raiva, dor e angústia. São duas pessoas com vidas totalmente diferentes, com bagagens cognitivas particulares.

O cérebro responde ao que aprendeu no passado. Goleman explica que é importante inclusive treinar essa mudança de comportamento em momentos em que não há tensão evidente. É preciso ensaiar, treinar uma resposta emocional diferente para que ela se consolide na memória e possa ser aplicada com sucesso em casos de tensões emocionais no relacionamento amoroso.

Para quem quer ter saúde mental e um relacionamento amoroso satisfatório, em que ambos estejam genuinamente felizes, tranquilos e leves, não tem caminho melhor.

Conhece-te a ti mesmo.

Compreenda seus sentimentos.

Aprenda a lidar com eles.

Sua saúde e a saúde do (a) sua parceiro (a) agradecem.

Fontes:

  1. Livro Inteligência Emocional: A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente – Daniel Goleman, dh.D.
  2. Site Mundo dos Psicólogos
  3. E-book Inteligência Emocional nos Relacionamentos Amorosos
  4. Site Escola da Inteligência
  5. Artigo Psicoterapia de casal na pós-modernidade: rupturas e possibilidades
  6. Artigo Couples who say ‘we’ do better at resolving conflicts

Imagens: Fotolia

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Daniela Malagoli

Graduada em Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Mestranda do Programa da Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação (Faculdade de Educação) da UFU. Apresentadora de telejornal, consultora de comunicação e colunista do Blog MeuCérebro.

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