Uma técnica especial

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostra mais uma evidência que reforça a plasticidade do cérebro. Na experiência – quatro dias, completamente em silêncio, em um retiro espiritual na Alemanha -, os participantes eram todos experientes na mediação Zen. Todos praticaram a meditação familiar, por pelo menos oito horas por dia. No entanto, uma outra técnica também foi utilizada: alguns dos participantes fizeram uma prática especial com o dedo indicador, por duas horas a cada dia; a concentração era voltada para quaisquer percepções sensoriais neste dedo. O resultado é que aqueles que utilizaram a “técnica do dedo” desenvolveram sensibilidade significativa no dedo indicador e também no médio, enquanto que, no grupo que praticou a meditação familiar, não foram identificadas essas mudanças.

Para avaliar o sentido do tato quantitativamente, os pesquisadores mediram o chamado “limiar de discriminação de dois pontos”, ou tato epicrítico; o qual indica quão longe dois estímulos precisam estar um do outro para que sejam, dessa forma, diferenciados como duas sensações. Após a “técnica do dedo”, a melhora no desempenho foi de 17% (média). Em comparação, a acuidade tátil de deficientes visuais é de 15 a 25% superior a de indivíduos com boa visão; isso porque o sentido do tato é utilizado intensamente para compensar a informação visual reduzida. Assim, as alterações induzidas pela meditação são comparáveis ​​às obtidas por intenso treinamento a longo prazo, como ocorre à percepção tátil desses indivíduos privados de informações visuais.

Conclusão

A meditação estimula processos de aprendizado e plasticidade – capacidade do cérebro de se adaptar e se reestruturar  – assim como faz uma estimulação física, por exemplo. Já se sabe que esses processos se dão também por estimulação passiva (luva estimulante como intervenção terapêutica em pacientes com AVC é um exemplo). Mas, a boa nova noticiada pelo estudo atual é que apenas estados mentais já podem melhorar a percepção, sem qualquer estimulação física.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO