Entenda por que e como as risadas fazem parte do repertório cerebral

O humor é um processo mental extremamente complexo, talvez até mesmo o mais detalhado que temos em nosso repertório cerebral. Não é à toa que ele tem intrigado pesquisadores há algum tempo com o seguinte questionamento: qual é a vantagem evolutiva do humor? Se ele existe até hoje, é porque representou algum tipo de vantagem ao ser humano ao longo da evolução. Além disso, o humor não pode ser ensinado ou aprendido e é uma característica presente em praticamente todas as pessoas, levando cientistas a crer que ele não seja um processo apenas psicológico e social, mas também genético e neurológico.

De fato, a existência ubíqua do humor, inclusive nas sociedades tribais mais antigas do mundo, mostra que esse processo mental é algo evolutivamente importante. As teorias quanto às vantagens são inúmeras, variando de um mecanismo para relaxamento e coerência social até alguma forma de treinamento (conforme proposto pelo próprio Darwin). [1]

A teoria mais aceita, no momento, porém, é a de que o humor sirva como um mecanismo de coesão cognitiva. Quase todas as formas de humor envolvem a comparação entre elementos congruentes (aqueles que fazem sentido conforme o contexto) e os incongruentes (que não fazem sentido naquele contexto). Logo, segundo teorizam alguns pesquisadores, achar graça de determinada situação seria uma forma, desenvolvida por nossa espécie, para denunciar erros de raciocínio ou coerência e sinalizar que aquilo não deve ser levado a sério (como um “alarme falso”. Com isso, o humor ajudaria no desenvolvimento de outras funções cerebrais complexas como a fala. [1]

Se o processo mental é complexo, é de se esperar que a circuitaria que o gera também o seja. Percebe-se um envolvimento importante de lobos frontais, temporais, além dos córtices da linguagem e límbico. Ambos os lados atuam, mas o direito parece ser mais ativo no caso do humor. [2] Muitas pesquisas ainda estão em andamento e o futuro reserva novos conhecimento sobre essa habilidade humana tão peculiar.

Referências
  1. POLIMENI, Joseph; REISS, Jeffrey P.. The First Joke: exploring the evolutionary origins of humor. Evolutionary Psychology, [S.L.], v. 4, n. 1, p. 347-366, jan. 2006. SAGE Publications. http://dx.doi.org/10.1177/147470490600400129. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/147470490600400129. Acesso em: 28 jul. 2020.
  2. KLJAJEVIC, Vanja. Neurology of Humor. Encyclopedia Of Evolutionary Psychological Science, [S.L.], p. 1-8, 2019. Springer International Publishing. http://dx.doi.org/10.1007/978-3-319-16999-6_3242-1. Disponível em: https://link.springer.com/referenceworkentry/10.1007%2F978-3-319-16999-6_3242-1. Acesso em: 28 jul. 2020.

Sobre o Mentor

Carlos Henrique

Médico com formação em Clínica Médica, Escritor, Coordenador de conteúdo do site Meu Cérebro, entusiasta de uma visão holística da saúde, especialmente do cérebro humano

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