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Antigamente considerado uma simples coleção de gânglios, o sistema nervoso entérico, aquele relacionado ao intestino, é agora reconhecido como um cérebro complexo e integrativo por si só. Não à toa muitos autores o denominam nosso segundo cérebro.1 Só por isso já valeria a pena estudá-lo com profundidade, mas novas e surpreendentes descobertas sobre o tema farão você repensar velhos hábitos, em especial os alimentares.

Milhões de pessoas sofrem com disfunções do aparelho gastrointestinal. Em alguns países, até 1/3 da população apresenta constipação. A disfunção do sistema digestivo gera mais ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Sinais imunes enviados pelo intestino podem até comprometer vasos sanguíneos do cérebro, levando à deterioração da saúde mental e ao comprometimento cognitivo.2,3,4

Intestino segundo cérebro
O estudo da relação cérebro-intestino revela um sistema de comunicação bidirecional complexo, com implicações sobre afeto, motivação e funções cognitivas mais elaboradas, incluindo o processo de tomada de decisão. (Shutterstock)

Queixas gastrointestinais e emocionais sempre caminharam lado a lado. A crença de que, nesta relação, depressão e ansiedade são sempre a causa dos transtornos digestivos, não procede totalmente. Seria mais uma via de mão de dupla: afecções mentais até podem ser a raiz dos sintomas gastrointestinais, mas hoje há evidência suficiente para dizer que não raro estes sintomas surgem primeiro. Faz sentido se levarmos em conta que a nossa alimentação está deixando a desejar.5,6

Ler este artigo vai ajudar você a entender:

  1. Por que o intestino é considerado nosso segundo cérebro
  2. A anatomia do sistema nervoso entérico
  3. Como cérebro e intestino estão conectados
  4. O papel da microbiota intestinal
  5. Neurotransmissores e outros mediadores químicos do segundo cérebro
  6. Doenças e transtornos neuropsiquiátricos associados à disfunção intestinal
  7. Como otimizar o segundo cérebro

Todas as referências estão listadas no fim. Antes de prosseguir, cadastre seu email para receber nossas últimas atualizações sobre o cérebro e a mente.

Sistema nervoso entérico: por que ele é considerado nosso segundo cérebro

Divisão importante do sistema nervoso periférico, o sistema nervoso entérico governa a função gastrointestinal. Mas, de longe, sua atuação não se resume a isso. Ele interage intimamente com a nossa maior superfície corporal: a mucosa intestinal, aproximadamente 20 vezes maior que a superfície da pele. Logo, outra importante função do trato gastrointestinal é detectar e responder a estímulos externos, funcionando como um verdadeiro órgão sensorial.

O termo segundo cérebro também diz respeito à sua capacidade de operar com autonomia, independentemente de comandos neurais superiores, e isso ocorre mesmo quando nervos que realizam a conexão cérebro-intestino são seccionados.7

Outra razão que levou os pesquisadores a enxergarem o sistema nervoso entérico com mais distinção é a complexidade desse sistema, tanto morfologicamente, quanto em números.

O trato gastrointestinal tem aproximadamente 5 metros de comprimento, dos quais 2/3 são intestino delgado, e uma superfície epitelial estimada em 32 m2.8 Outros números impressionantes sobre o segundo cérebro:

  • constituído por mais de 100 milhões de neurônios;
  • apresenta até 100 mil terminações nervosas extrínsecas, o que lhe confere o status de maior órgão sensitivo do corpo;
  • é o lar de 70% a 80% de nossas células imunológicas.9

Anatomia do sistema nervoso entérico

Milhões de neurônios estão embutidos na parede do intestino. Basicamente, o sistema nervoso entérico ou sistema nervoso intrínseco consiste em uma “malha neuronal” complexa responsável por governar a função de grande parte do trato gastrointestinal (TGI). Ele começa no terço médio do esôfago e se estende por uma distância de aproximadamente 10 metros até a junção anorretal.

A formação do sistema nervoso entérico tem sua origem simpática nos nervos esplâncnicos e gânglios pré-vertebrais, e parassimpática no nervo vago e gânglios parassimpáticos viscerais. Quanto mais próximo dos intestinos e demais órgãos relacionados, mais difícil se torna separar, por dissecação, essas estruturas neurais. É possível observar um emaranhado de nervos e gânglios, os chamados plexos viscerais. Os dois principais são os plexos celíaco e pélvico (ou hipogástrico).10

O sistema nervoso entérico propriamente dito é composto por dois plexos mais arraigados às paredes dos órgãos gastrointestinais: os plexos mioentérico de Auerbach e submucoso de Meissner. A organização destes é ainda mais complexa, inclusive com a presença de neurônios sensitivos e interneurônios.11

Como cérebro e intestino estão conectados

Acreditava-se que a conexão entre o cérebro e o sistema nervoso entérico se daria indiretamente, lenta e exclusivamente através de hormônios liberados nas imediações. Entretanto, novas evidências apontam para uma conexão muito mais rápida e direta entre os neurônios dessas partes “distantes” do sistema nervoso.

Sobre esse assunto, as células enteroendócrinas merecem destaque. Um tipo especial de células do TGI, elas possuem prolongamentos que se comunicam com as terminações nervosas locais. Através do nervo vago, sinais oriundos do intestino alcançam o sistema nervoso central, especificamente o tronco encefálico, em milissegundos.12

A liberação de glutamato e, mais recentemente, de serotonina em uma espécie de sinapse neuroepitelial, constituem provas científicas recentes dessa “nova” e rápida conexão entre cérebro e intestino.13

Microbioma e microbiota intestinal

Por microbioma entende-se o conjunto dos genomas coletivos dos microrganismos que compõem a microbiota intestinal, que por sua vez, é a comunidade de microrganismos em si residente no trato digestivo humano, especialmente no intestino.14

Aproximadamente 40 trilhões de microrganismos e pelo menos centenas de espécies diferentes, a grande maioria bactérias, mas também vírus, fungos e protozoários, coexistem no trato gastrointestinal humano. O nosso genoma consiste em 23 mil genes, ao passo que o microbioma codifica mais de 3 milhões deles, responsáveis pela produção de milhares de metabólitos, capazes de de sustentar e até substituir muitas funções orgânicas do corpo humano.9,15

Tais microorganismos são capazes de modular diversos aspectos do sistema nervoso, podendo alterar a função cerebral e modificar comportamentos. A manutenção de uma microbiota saudável é hoje um dos pilares para as funções intelectuais ótimas.

Microbiota intestinal e microbioma
O microbioma é agora reconhecido como um órgão virtual do corpo. (Shutterstock)

O estudo de Sudo foi um dos primeiros a apontar objetivamente essa correlação, mostrando um aumento da resposta ao estresse no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e uma diminuição do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) no hipocampo de cobaias livres dos germes.16 Como veremos adiante, um número cada vez maior de pesquisas apontam para a influência desses microrganismos, ou a “falta” deles, na fisiopatologia de doenças neurodegenerativas como Parkinson e até Alzheimer.

Neurotransmissores e outros mediadores químicos do segundo cérebro

Como um bom cérebro que se preze, a presença de uma ampla e variada gama de neurotransmissores e outras moléculas mediadoras faz parte do pacote. Aproximadamente 30 substâncias que preenchem os pré-requisitos necessários já foram catalogadas. E esse número tende a aumentar.

Podemos citar como exemplos as catecolaminas, acetilcolina, serotonina, glutamato, GABA, histamina, neuropeptídeos como a colecistocinina (CKK) e o peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1), fatores neurotróficos como o derivado de células gliais (GDNF-1), citocinas e quimiocinas (TNF-α, IL-1b e IL-6) e ácidos graxos de cadeia curta como butirato, propionato e acetato.9

A seguir, algumas das principais moléculas mediadoras do sistema nervoso entérico:

Catecolaminas: em relação ao segundo cérebro, as catecolaminas (noradrenalina, adrenalina e dopamina) desempenham funções como regulação do fluxo sanguíneo, absorção de nutrientes, interação com o sistema imunológico, microbiota e motilidade gastrointestinal. Algumas bactérias inclusive expressam receptores adrenérgicos. Dado interessante diz que 50% da dopamina produzida no organismo se encontra nas imediações do intestino.17

Acetilcolina: no sistema gastrointestinal, sua atuação mais conhecida é aumentar o peristaltismo do estômago e a amplitude das contrações digestivas. A acetilcolina é o neurotransmissor parassimpático primário liberado pelas fibras nervosas pré-ganglionares (as que surgem dos gânglios ao longo da medula espinhal) e pelo nervo vago.

Recentemente descobriu-se que neurônios intrínsecos e alguns linfócitos T também produzem acetilcolina. As pesquisas têm focado em sua atuação imunológica, com poderosos efeitos anti-inflamatórios na periferia, e numa possível regulação da microbiota.

Serotonina: é um neurotransmissor que ajuda a regular o sono, o apetite, o humor e também inibe a dor. Como cerca de 95% da serotonina é produzida no trato gastrointestinal, faz sentido que o bom funcionamento do sistema digestivo não apenas digira os alimentos, mas também interfira positivamente em suas emoções. A produção de serotonina também é altamente influenciada pelas bilhões de bactérias “boas” que compõem a microbiota intestinal.18

Glutamato: além de neurotransmissor, este é o único nutriente entre aminoácidos, açúcares e eletrólitos que ativa o nervo vago através do lado luminal do intestino. Ao fazer isso, estimula a liberação de mucina e óxido nítrico (NO); este, por sua vez, estimula células enterocromafins a produzirem e secretarem serotonina.

Em um estudo com cobaias, a ativação intestinal provocada pelo glutamato foi capaz de estimular tanto a área pré-óptica medial (controle da temperatura corporal) quanto o hipotálamo dorsomedial (regulagem do metabolismo).19

GABA: O neurotransmissor ácido γ-aminobutírico (GABA) também é um dos mediadores do sistema nervoso entérico e, portanto, está envolvido na função gastrointestinal, principalmente na motilidade do mesmo. Ao contrário do seu papel no sistema nervoso central, o GABA está envolvido na excitabilidade neuronal do segundo cérebro. Uma outra função do GABA, a de imunomodulador natural de linfócitos T, tem despertado grande interesse pelo potencial de aliviar os sintomas de doenças gastrointestinais inflamatórias.20

Doenças e transtornos neuropsiquiátricos associados à disfunção intestinal

Doenças e transtornos associados à disfunção do sistema nervoso entérico são comuns. A grande novidade dos últimos anos: o cérebro deixou de ser o protagonista absoluto, pelo menos nessa questão. Em caminho inverso (ou bidirecional), afecções gastrointestinais também podem ocasionar distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

Depressão e ansiedade

Pacientes deprimidos costumam apresentar problemas digestivos, como alterações do apetite, distúrbios do trânsito gastrointestinal e anormalidades da microbiota. A depressão está intimamente relacionada com a condição de saúde do eixo cérebro-intestino.

A modulação da microbiota intestinal tornou-se um tema quente na pesquisa de tratamentos para os transtornos mentais.21 A correção de disbioses gastrointestinais pode ser importante na manutenção da saúde mental.

Confira algumas evidências:

  • pessoas deprimidas têm uma microbiota intestinal diferente de pessoas saudáveis;
  • sintomas depressivos podem ser transmitidos após transplante de microbiota fecal;
  • distúrbios da microbiota intestinal aumenta a suscetibilidade à depressão;
  • restauração da microbiota intestinal alivia a depressão;
  • sintomas depressivos podem ser transmitidos após transplante de microbiota fecal.

Os transtornos ansiosos também não ficam de fora: existe associação com a síndrome do intestino irritável (SII), flatulência, inchaço abdominal, diarreia, obstipação, alteração do aspecto das fezes, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), dificuldade para engolir, mau hálito, entre outros.

Doença de Parkinson

O envolvimento do sistema nervoso entérico e do núcleo motor dorsal do nervo
vago, em casos incidentais de Parkinson, sugere que o sistema gastrointestinal possa constituir o local de início da doença. A obstipação é frequente na doença e pode preceder o aparecimento dos sintomas motores.22

Autismo

Dependendo das definições e grupos estudados, o distúrbio intestinal está presente em 9% a 90% das crianças com o transtorno do espectro do autismo (TEA). Em comparação com crianças sem alterações do desenvolvimento neuropsicomotor, os sintomas gastrointestinais são mais de cinco vezes mais comuns em crianças autistas.23

A dor abdominal é relatada mais de duas vezes e tanto a constipação quanto a diarréia têm incidência aumentada. Há uma forte correlação dos distúrbios gastrintestinais com a gravidade do transtorno. Por fim, o autismo está associado a mudanças significativas da microbiota intestinal.24

Como otimizar o segundo cérebro

A grande notícia é que você pode melhorar o funcionamento do seu segundo cérebro, pelo estilo de vida, alimentação, prevenção e tratamento de doenças preexistentes. Um dos pilares certamente é a conservação de uma microbiota equilibrada e funcional, através de estratégias como lançar mão de probióticos, prebióticos, sobretudo manter uma dieta saudável e até, em casos selecionados, ser o receptor em um transplante de fezes.

Consumo de probióticos

Os probióticos são definidos como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Eles podem ser adicionados na preparação de uma enorme variedade de produtos, como alimentos, medicamentos e suplementos dietéticos.25,26

Microrganismos probióticos
Exemplos de probióticos humanos. A grande maioria dos estudos foram realizados com Lactobacillus e Bifidobacterium. (Shutterstock)

Os probióticos influenciam a função do sistema nervoso central por meio de mecanismos diretos e indiretos. Há evidências de modulação neuroquímica central, de atuação sobre nervos cranianos e nervos entéricos, além de efeitos sobre os sistemas endócrino e imunológico.

Estudos concluíram que os probióticos podem alterar diretamente a bioquímica cerebral, afetando os níveis de BDNF, GABA, serotonina e dopamina, influenciando a mente e o comportamento. Também foram capazes de afetar o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, alterando os níveis de corticosteroides produzidos internamente e do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), ambos envolvidos no metabolismo e na resposta do organismo ao estresse.27

Outra pesquisa realizada com modelos animais experimentais demonstrou que os probióticos atenuaram a ansiedade e comportamentos depressivos.28

Em linhas gerais, os probióticos manipulam e diversificam a microbiota intestinal, elevando a composição de bactérias benéficas. Uma microbiota mais saudável reequilibra as taxas de metabólitos essenciais como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e o triptofano, o que melhora indiretamente a função neural.

Apesar da euforia recente em torno dos probióticos, o The Lancet Gastroenterology & Hepatology fez recentemente um alerta em seu editorial: ao passo que tomar um suplemento para melhorar a saúde seja certamente uma perspectiva atraente, aqueles que desejam melhorar a microbiota do seu intestino por hora podem se servir melhor de uma dieta saudável e variada.29

Cada indivíduo tem um microbioma intestinal único e os efeitos dos probióticos podem ser altamente variáveis de pessoa para pessoa. Além disso, os produtos disponíveis podem não conter as cepas corretas ou a quantidade ideal de bactérias. Segundo especialistas, o futuro aponta para a customização desses produtos.

Em resumo, os probióticos não são promessas vazias. Mas também não devem ser encarados como elixir dos deuses capazes de blindar o cérebro, turbinar a inteligência e prevenir todo tipo de doença.

Consumo de prebióticos

Por prebióticos entende-se uma parte não-digerível de alimentos como banana, cebola e alho, a casca de maçãs, raiz de chicória e tantos outros.

A fibra prebiótica passa pelo intestino delgado não digerida e é fermentada quando atinge o intestino grosso. Este processo de fermentação alimenta as colônias de bactérias benéficas (incluindo os microrganismos probióticos) e ajuda a regular a microbiota.

Existem ainda os simbióticos, produtos que contém tanto probióticos e prebióticos em sua composição, com benefícios comprovados para a saúde do consumidor.26

Dieta equilibrada

A suplementação de ácidos graxos ômega-3 aumenta a produção de AGCC, deslocando o equilíbrio da microbiota intestinal para um estado saudável (eubiose).30

Outro estudo identificou que a associação entre uma microbiota intestinal saudável e uma oferta adequada de triptofano na dieta pode limitar inflamações no cérebro por meio de sua influência na microglia.31

Por outro lado, o excesso de gorduras saturadas na dieta aumenta o número de microrganismos pró-inflamatórios intestinais, estimulando a formação de ácidos biliares conjugados com taurina que promovem o crescimento desses germes.32

Concepção e estilo de vida

Os micróbios colonizam o intestino humano durante ou logo após o nascimento. O fato de que bebês nascidos de parto normal têm uma contagem bacteriana mais alta no primeiro mês de idade do que os nascidos por cesariana sugere que a colonização intestinal por micróbios começa e é estimulada pelo nascimento natural.32

O exercício (ou melhor, a falta dele) exerce uma influência importante sobre a disbiose intestinal associada à obesidade. Atletas profissionais que mantiveram dieta regrada apresentaram um aumento na diversidade dos micróbios intestinais.

O estresse pode contribuir para a SII, um dos distúrbios intestinais funcionais mais comuns, e também interfere nas populações microbianas.

As condições sanitárias precárias nos países em desenvolvimento e a falta de higiene pessoal podem facilitar a disseminação de agentes infecciosos. Há evidências de que até a poluição urbana pode alterar o funcionamento intestinal e favorecer a ocorrência de disfunções.32

Uso inteligente de antibióticos

Por interferirem na microbiota intestinal, o uso indiscriminado de antibióticos é um problema crescente dos novos tempos. Evidências apontam para um prejuízo indireto para as funções intelectuais.

Um artigo científico publicado na Cell Reports reportou que o uso prolongado de antibióticos diminuiu a neurogênese e a função cognitiva, ao passo que a administração de probióticos associados a exercícios voluntários foi capaz de reverter esse processo.33

Transplante de fezes

O transplante de microbiota fecal, também conhecido como bacterioterapia, é uma opção terapêutica extremamente eficaz na infecção por Clostridium difficile. Consiste na infusão de fezes de um doador saudável para o trato gastrointestinal de um paciente receptor, a fim de tratar uma doença específica associada à alteração da microbiota intestinal.34

Achados promissores sugerem que o transplante de fezes pode ser útil futuramente no manejo de inúmeros outros transtornos, inclusive de natureza neurológica, como Parkinson, fibromialgia, esclerose múltipla e autismo.35

Referências:
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Sobre o Mentor

Leonardo Faria

Neurocirurgião que atua na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Membro-sócio titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Idealizador e CEO do site Meu Cérebro.

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