Psicologia das cores: o significado da cor vermelha

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O estudo sobre a psicologia das cores é antigo. Desde Platão, Pitágoras, Aristóteles, Euclides, Ptolomeu, passando por físicos como James Clerk Maxwell, a pesquisa das cores pertence a um universo interdisciplinar, caminhando pela fisiologia, física, estética e psicologia. Este estudo busca entender a forma como nosso cérebro identifica e transforma as cores em sensações.  

A cor está inevitavelmente inserida em nossas vidas, podendo ser observada na publicidade, na decoração, na moda, entre outros. Capaz de nos proporcionar múltiplas sensações, quando utilizada de forma adequada, é uma ferramenta de equilíbrio e bem-estar.

Psicologia das cores: o vermelho

No que diz respeito ao vermelho, a sua influência é ampla e complexa. Remete a poder, guerra, perigo, violência, fogo, coração, paixão, amor, desejo, carne, sexo, pecado, tentação, revolução, energia, estímulo, apetite. Resumindo em uma palavra: excitação.

O vermelho é uma cor quente, exalta, acelera e instiga. Do latim, vermis significa “verme”, “pequeno animal” e tem ligação com a época em que se extraía pigmento de moluscos e cochonilhas. O vermelho é influente e está relacionado a diversos elementos de acordo com o contexto sócio-histórico.

Para a psicóloga Rosália Moreira, os efeitos da cor vermelha sofrem influência direta da cultura na qual o indivíduo está inserido, assim como suas experiências: “apesar de considerarmos na prática os impactos das cores nos pacientes, não desconsideramos o teor subjetivo destas reações, levamos em conta que esses efeitos estão sujeitos a fatores pessoais, culturais e situacionais”, explica.

Vermelho e competição

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Ainda de acordo com a psicóloga, “a cor vermelha está diretamente ligada aos estímulos físicos, por isso é comumente associada à paixão; é a cor da energia, ação, ambição e determinação”. Para ela, essa cor pode nos excitar e nos deixar mais confiantes, mas também pode contribuir para o aumento da ansiedade, agressividade, intolerância e cansaço.

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia do Esporte da Universidade de Münster, na Alemanha, em uma reportagem da revista mente&cérebro sugere que  o vermelho pode ajudar a vencer uma corrida. Os pesquisadores acreditam que vestir roupas vermelhas aumenta a chance de vencer uma disputa esportiva. 42 pessoas de vermelho e 42 de azul foram monitoradas, e o resultado: os avermelhados tiveram 10% a mais de vitórias sobre os demais.

“O cérebro humano faz uma leitura das cores, reunindo informações sobre as frequências de ondas recebidas; esses dados são armazenados na memória. Quando nossos olhos vêem a cor vermelha, envia estes estímulos ao cérebro que reage intensificando nosso poder de percepção, contribuindo para que a pessoa fique mais alerta e focada em seu  objetivo – no caso de uma competição, por exemplo, é obter o melhor desempenho possível”, de acordo com a reportagem.

Vermelho e sexo

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No que tange ao dueto vermelho-sexo, a explicação pode estar nos nossos antepassados. Pesquisadores acreditam que chimpanzés e babuínos fêmeas, quando no período fértil, ficavam com os rostos avermelhados, devido a uma série de fatores biológicos, como o aumento de estrogênio.

Assim, o significado, para os machos, era que o momento de acasalar havia chegado. O sexo masculino, mesmo que de uma forma inconsciente, é bastante influenciado pela cor vermelha. Uma pesquisa feita pela universidade de Rochester, nos Estados Unidos, convocou mais de 20 voluntários para avaliar, a partir de fotos de uma modelo vestida de branco ou vermelho, o grau de interesse dela em fazer sexo. E o resultado? Ah, o vermelho, é claro. O responsável, segundo os entrevistados, pelo interesse da modelo em “namorar”.

Psicologia das cores: A influência no cérebro

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Será que existe uma área específica para cada cor, no cérebro? A neurobiologia das cores é um tema fascinante e seu estudo abre as portas para o entendimento do processamento visual como um todo.

Para o fisiologista Guyton, a percepção de uma cor é um processo que depende sobretudo dos contrastes em uma cena visual. Nesse caso, o vermelho leva vantagem por ser uma cor cujo comprimento de onda evoca forte estímulo no cérebro e, consequentemente, tende a se sobressair, a proporcionar mais contraste no campo visual.

Na década de 70, Semir Zeki determinou a existência de uma pequena área em cada lado do cérebro, mais precisamente nos lobos occipitais, que parecia responder à estimulação cromática. Enquanto algumas porções da chamada área V4 eram ativadas pelo estímulo desta informação cromática e não pelos comprimentos de onda, na área V1 ocorria o contrário: as células respondiam ao comprimento de onda, e não à cor.

No entanto, as regiões citadas acima são somente algumas das áreas envolvidas no complexo processo de interpretação de uma cor, desde a sensação detectada no olho até a ativação dos neurônios capazes de produzir respostas ao referido estímulo. Assim, em etapas mais adiantadas, as memórias particulares a cada indivíduo se associarão ao estímulo neurológico produzido pela cor, terminado por evocar emoções e comportamentos distintos, também peculiares a cada indivíduo e suas experiências.

Sobre o tema, Oliver Sacks conclui: “a visão colorida, na vida real, é parte integrante da nossa experiência total; está ligada a nossas categorizações e valores.”

Especialmente tratando do sistema límbico, ou das emoções, estudos sugerem que a cor vermelha ativa a amígdala e o núcleo accumbens. O vermelho aumenta a pressão sanguínea, aquece e estimula o sistema nervoso. É utilizada no tratamento de diversos tipos de dormência, paralisias, anemia, resfriados e pneumonia, e, por isso, não é recomendada no tratamento de febres, hipertensão e processos inflamatórios.

A cor vermelha também é, como vimos, a que se destaca mais visualmente, sendo rapidamente detectada pelo cérebro. No caso de alimentos, pode estimular o consumo e, no caso de objetos e lazer, provocar o  afastamento.

O vermelho e o Natal

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O vermelho é a cor do Natal, provavelmente pelos motivos aqui explicitados. Estimula, associa-se ao amor, à paixão. “Pesquisadores e especialistas sinalizam que a cor vermelha é uma poderosa ferramenta de comunicação, exercendo forte influência sobre o humor, os sentimentos e os comportamentos, causando, inclusive, reações fisiológicas”, explica a psicóloga Rosália Moreira.

O vermelho de Natal instiga o apetite. É só observar, ao nosso redor, a quantidade de empresas do ramo alimentício que se utilizam dessa cor. E, cá para nós, dá fome, não é mesmo? É… A influência das cores, no caso, a vermelha, é mais complexa do que imaginamos. Ao ser decodificado pelo cérebro, o vermelho dos alimentos estimula e acelera, causa apetite.

Outra interessante pesquisa mostrou que, ao fazer compras, os indivíduos mais idosos preferem comprar produtos em embalagens onde predomina o azul, enquanto o indivíduo mais jovem prefere produtos com a cor vermelha.

E não para por aí. Estudos também mostram que o vermelho estimula alguns aspectos da cognição. Cerca de 600 pessoas que executaram tarefas que exigiam atenção a detalhes e criatividade foram avaliadas por pesquisadores da University of British Columbia (UBC). Conclusão: quando o plano de fundo utilizado era vermelho, os indivíduos se saíram melhor nos testes de atenção; ao ser trocado pela cor azul, o plano de fundo exerceu influência positiva nos testes de criatividade.

Um simples fenômeno físico – uma cor – é capaz de afetar profundamente o cérebro e seu funcionamento. As possibilidades são inúmeras. Cabe a nós, profissionais ou leigos, a partir de agora, fazermos escolhas mais inteligentes quando o assunto é cor.

Especialmente a cor vermelha, de Natal. Incorporar os conceitos que acabamos de ver no que iremos vestir, comer ou preencher o nosso lar é algo que está ao nosso alcance e, certamente, fará toda a diferença.

 

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