Cientistas identificam três novos subtipos de depressão

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História de vida de pacientes aliada a dados de ressonância magnética. Foi com essa combinação que pesquisadores da Unidade de Computação Neural do Instituto de Okinawa, da Universidade de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia (OIST), no Japão, chegaram aos resultados da pesquisa publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, em setembro deste ano. Segundo os cientistas, é o primeiro estudo que conseguiu identificar subtipos da depressão a partir de uma análise desses dois elementos: histórico e imagens de ressonância magnética.

Os medicamentos mais comuns prescritos para a pacientes com depressão são os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs). Eles aumentam os níveis de serotonina no cérebro: o “hormônio da felicidade”. A questão é que, em alguns casos, os ISRSs não conseguem lidar completamente com o problema. O novo estudo ajuda a entender por que motivo isso acontece.

A pesquisa

O time de pesquisadores, liderado pelo professor Kenji Doya, examinou dados clínicos de 134 participantes. Metade deles tinha sido diagnosticada com depressão há pouco tempo. Por meio de questionários e exames de sangue, foram coletadas informações sobre história de vida, saúde mental, padrões de sono e outras possíveis causas de estresse na vida de cada participante. A atividade cerebral também foi observada pelos cientistas. Eles usaram aparelhos de ressonância magnética para mapear 78 regiões do cérebro e examinar as conexões entre essas áreas.

Além de coletar todos esses dados, a forma de analisar eles foi um desafio à parte. A equipe precisou desenvolver uma ferramenta estatística que pudesse extrair informações relevantes para agrupar assuntos semelhantes. Com o novo método que Tomoki Tokuda, estatístico da OIST, desenvolveu, foi possível decompor mais de 3000 recursos mensuráveis em cinco grupos de dados. Desses cinco grupos, dois eram a incidência de trauma na infância e a gravidade inicial do episódio depressivo.

Resultados

Dos cinco conjuntos de dados, três correspondiam a diferentes subtipos de depressão. As imagens coletadas por ressonância magnética revelaram que a conectividade funcional de diferentes áreas do cérebro conectadas ao giro angular previu se os ISRSs realmente tratavam a depressão. Giro angular é uma região cerebral envolvida no processamento de números, linguagem, cognição espacial e atenção.

Os dados mostraram que um dos subtipos em que os ISRSs não conseguia fazer efeito tinha correlação com alta conectividade funcional e trauma de infância. Já em outros dois subtipos que responderam bem aos medicamentos, a conectividade neural era baixa e não havia trauma de infância.

As descobertas podem ajudar médicos a pensar como o tratamento efetivo da depressão poderá ser baseado na conectividade cerebral funcional e na existência, ou não, de traumas durante a infância do paciente. O estudo também estimula outras pesquisas. “Fornece aos cientistas que estudam os aspectos neurobiológicos da depressão uma orientação promissora para prosseguir com suas pesquisas”, afirma o professor Doya, orientador da pesquisa. 

Cenário nacional e mundial

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é de que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram de depressão no mundo. A doença é a principal causa de incapacidade no planeta. A Organização também estima que menos da metade dessas pessoas afetadas pela depressão recebem tratamento.

Dados divulgados também pela OMS, em 2017, mostram que, na América Latina, o Brasil é o país com a maior taxa de habitantes que sofrem de depressão: 5,8% dos brasileiros passam pelo problema, o que equivale a 11,5 milhões de pessoas.

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Letícia Brito
Estudante de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Estagiária de reportagem em TV, apresentadora de boletim de notícias e colunista do MeuCérebro.

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