Pensamentos negativos viciam e podem prejudicar o cérebro

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Pensamentos negativosVerdade seja dita. Todo mundo já passou por aqueles dias em que tudo dá errado e pensamos: “não tem como piorar”. Aí fica difícil ser otimista e os pensamentos negativos vêm com força total. Ok, compreensível. O problema ocorre quando o pessimismo é frequente e virou rotina. Seu cérebro percebe (claro!) e sofre as consequências se você dorme e acorda sempre nesse mesmo clima.

Confira alguns exemplos do que a neurociência diz sobre como pensar negativamente afeta seu cérebro.

Pensamentos negativos podem levar ao Alzheimer

É o que percebeu o Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London, na Inglaterra. O pensamento negativo repetitivo (PNR) pode prejudicar a capacidade do cérebro de pensar, raciocinar e formar memórias.

Podemos nem perceber conscientemente que o PNR acontece, mas ele é capaz de consumir nossa capacidade finita de recursos cerebrais. Na prática, também desencadeia uma reposta física, no cérebro, ao estresse. Se isso durar muito tempo, pode causar danos e reduzir a resiliência do cérebro à doença de Alzheimer.

E sabe quando alguém diz que cuidar da saúde mental é importante? Pois é mesmo! O estudo apontou que o pensamento negativo repetitivo é um comportamento comum de pessoas que sofrem depressão, ansiedade, distúrbios do sono, vivem uma vida estressante ou têm transtorno de estresse pós-traumático.

Negatividade afeta o potencial do cérebro

Pensamentos negativos - Negatividade

Outro estudo, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, apontou que meia hora de negatividade por dia já é suficiente para danificar seu cérebro. E nem precisa partir de você: ouvir alguém reclamar ou assistir a coisas negativas na TV também prejudica.

Essas situações afetam o funcionamento de neurônios do hipocampo: a região da massa cinzenta que trabalha na resolução de problemas, cuida do funcionamento cognitivo e também da nossa memória.

Escolha que área estimular no seu cérebro

Quem malha sabe bem: se treinamos um músculo, ele tende a crescer e ficar mais forte; mas, se deixamos de exercitá-lo por muito tempo, acontece o contrário. Graças à tecnologia de imagem, que permite mapear e mensurar atividades cerebrais, já foi possível perceber que o cérebro trabalha de um jeito parecido: o que incentivamos nele é o que tem mais potencial para se desenvolver.

O que isso tem a ver com pensamentos negativos? Na parte da frente do seu cérebro, à direita, está o córtex pré-frontal direito: a região responsável pelos pensamentos negativos. Exames médicos mostram que, quem vive pensando negativamente ou pessoas com depressão têm essa parte hiperativa ou excessivamente desenvolvida. Poderíamos dizer que seria como um músculo (um bíceps, por exemplo) super treinado.

Quando pensamos positivamente, a área ativada no cérebro é outra: também na parte frontal, mas do lado esquerdo (no córtex pré-frontal esquerdo). Durante períodos em que nos sentimos pra baixo, pessimistas, estressados ou depressivos, essa região parece estar menos ativa em relação ao lado direito (área dos pensamentos não tão bons assim). Ela está subdesenvolvida.

Pensamentos positivos e o cérebro
Os cérebros ficam bons naquilo que fazem sempre.

“Os cérebros ficam bons no que fazem”. Mas também podem se viciar. Se você pensa muito de um jeito pessimista, seus “fios” cerebrais se especializam em produzir pensamentos negativos. O cérebro acaba ficando bom também em identificar coisas para pensar negativamente sobre elas.

Resumindo…

Pensamentos ruins incentivam a parte do cérebro especialista neles, e pensamentos positivos estimulam a região “mais otimista”. A questão é incentivar o que queremos e não dar corda para o que não queremos.

Falando assim parece fácil, mas sabemos o quão difícil é mudar velhos hábitos. Uma estratégia é parar e prestar atenção quando os pensamentos negativos vierem. Tentar substituí-los pelos positivos durante alguns minutos. Fazendo isso, a neuroplasticidade começa a trabalhar a seu favor.  Segundo este artigo, focar nessa mudança do pensamento e permanecer nela durante o maior tempo possível é uma boa para criar novos “canais” no cérebro.

Não se trata de ser otimista o tempo todo e abominar qualquer pensamento negativo que, por ventura, aconteça ao longo do dia. Por outro lado, o hábito da negatividade não faz bem para nós, especialmente para a saúde do cérebro, como vimos no artigo.

Se você quer se livrar dos pensamentos negativos, mas precisa de ajuda, existem profissionais capacitados que podem te auxiliar. Lembre-se: cultivar e manter pensamentos bons é uma questão de saúde mental!

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Letícia Brito
Estudante de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Estagiária de reportagem em TV, apresentadora de boletim de notícias e colunista do MeuCérebro.

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