Medo de altura: a diferença entre acrofobia, aerofobia e climacofobia

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Viajar de avião, estar em um andar alto de um prédio, subir escadas. Para quem tem medo de altura, essas situações costumam ser difíceis de encarar. Perceber que está no alto, mesmo que não seja tão alto assim, pode causar pavor.

Segundo artigo do portal Psychology Today, sentimos medo quando nossos meios básicos de controlar sentimentos, usando mãos e pés para aproximar o que queremos e afastar o que nos assusta, estão perdidos. No avião, por exemplo, é possível que se tenha essa sensação de perda de controle porque, apesar de estarmos em um local fechado, sentimos que estamos desconectados da terra.

Medo de altura, acrofobia e aerofobia
Estar no avião pode deflagrar um tipo específico de fobia.

Nos lugares altos que não são fechados, o medo pode envolver a propriocepção, que seria o sentido inconsciente do cérebro de orientação do corpo no espaço. Alguns sistemas nos ajudam a perceber onde estamos em relação ao ambiente, seja ele parado ou em movimento.

O ouvido interno percebe a posição da cabeça, a gravidade e a aceleração. Os olhos identificam a distância dos objetos e o tamanho do local onde estamos. O toque nos ajuda no senso de equilíbrio. Cheiros (olfato) e barulhos (audição) nos ajudam a perceber a distância dos objetos e em que direção estão. Se um desses sistemas não nos informa, o senso de localização do próprio corpo no espaço diminui. Essa orientação diminuída, ainda mais em um ambiente inseguro, pode nos deixar incomodados.

Acrofobia: o medo de altura

A palavra acrofobia é grega. “Acro” se refere ao que é alto, elevado, e “fobia” quer dizer medo ou aversão. Várias situações podem causar o medo para quem sofre dessa fobia, como atravessar uma ponte, estar em elevadores de estrutura transparente e até usar uma escada rolante. Ter certo receio ao ficar em lugares altos é comum a qualquer pessoa, mas, para quem tem acrofobia, uma situação destas provoca medo excessivo, que pode parecer irracional para quem não sofre com o problema, pânico. Numa fobia, o medo é “exagerado”, com potencial para prejudicar a vida da pessoa.

A acrofobia pode estar relacionada a alguns outros medos, como aerofobia (medo de voar, que torna a ideia de viajar de avião assustadora) e a climacofobia (medo de degraus ou subir e descer escadas).

Ao estar em um lugar alto, quem tem acrofobia pode começar a suar, sentir tonturas, perceber o batimento cardíaco acelerar, ter dor de cabeça, falta de ar e se sentir aterrorizado ou paralisado.

O que causa medo de altura?

Fobias, em geral, costumam começar antes que a pessoa alcance os trinta anos de idade. Geralmente, tem início na infância, adolescência ou início da idade adulta. As causas podem estar relacionadas a alguma experiência estressante, um evento que tenha sido assustador ou traumático.

Nosso cérebro tem áreas que armazenam e evocam situações perigosas ou que podem levar à morte. Se passamos por uma experiência assim uma vez e, depois de um tempo, experimentamos algo parecido, estas áreas cerebrais recuperam a memória estressante, talvez até mais de uma vez, e o corpo tem a mesma reação.

O que acontece na fobia, em especial na acrofobia, é que o cérebro, por meio das regiões que lidam com medo e estresse, continua recuperando a experiência assustadora de um jeito que não é apropriado, que pode atrapalhar a vida. Pesquisas mostram que fobias estão frequentemente ligadas à amígdala cerebral. A amígdala pode estimular a liberação de hormônios que passam a mensagem de “lutar ou fugir”, que colocam o corpo e mente em intenso estado de alerta e estresse.

Amígdala cerebral e medo de altura

Alguns pesquisadores, na busca por entender o que pode causar os temores irracionais, perceberam que medos individuais podem ser transmitidos de geração em geração. Assim, é possível que algumas memórias sejam transmitidas biologicamente.

Herança do medo

Em Atlanta, estudiosos da Faculdade de Medicina da Universidade Emory, condicionaram ratos a relacionar o cheiro de flores de laranjeira ao medo. Sempre que este cheiro estava presente, os bichos sofriam choque elétrico. Depois, os filhotes destes ratos foram expostos ao mesmo cheiro e demonstraram sinais de medo, mesmo que nunca tivessem sentido o aroma antes. Uma reação semelhante também foi observada nos netos dos primeiros ratos do experimento e nas gerações subsequentes.

Em entrevista, um dos pesquisadores, Brian Dias, do departamento de psiquiatria da Emory, afirmou que os resultados da pesquisa, publicados na revista Nature, sugerem como “as experiências de um pai, antes mesmo de conceber a prole, influenciam marcadamente tanto a estrutura quanto a função do sistema nervoso das gerações subsequentes”.

Este fenômeno, segundo Dias, poderia contribuir para a “etiologia e potencial transmissão intergeracional de risco para transtornos neuropsiquiátricos, tais como fobias, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático“.

Como superar a acrofobia?

Terapia para medo de altura

Quem tem algum tipo de fobia costuma ter consciência disso, o que ajuda no diagnóstico, caso queira procurar por ajuda profissional. Nos casos em que a fobia não causa problemas graves, algumas pessoas decidem que conseguem seguir a vida sem buscar um tratamento, mas apenas evitando a fonte do medo.

Para quem quer ajuda, procurar um psiquiatra ou psicólogo é o primeiro passo indicado. Não existe um único tipo de tratamento que sirva para todos os casos, não há resposta pronta, mas existem chances de cura. O profissional conseguirá observar como adaptar o tratamento para cada caso.

Uma opção é a terapia comportamental, que pretende reduzir os sintomas de medo e ansiedade, além de ajudar a pessoa a administrar suas reações quando estiver diante do que causa a fobia. No caso da acrofobia, quando estiver em uma situação de altura ou que o lembre de que não está seguro, “no chão”. Alguns profissionais também podem recomendar medicamentos, como antidepressivos ou ansiolíticos, que podem reduzir sinais físicos da ansiedade, por exemplo.

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Letícia Brito
Estudante de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Estagiária de reportagem em TV, apresentadora de boletim de notícias e colunista do MeuCérebro.

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