A insônia e o uso de placebos; empresas farmacêuticas e pacientes agradecem

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Descobertas mostram que pacientes com insônia podem se beneficiar do uso de placebos. Aproximadamente nove milhões de americanos dependentes de receitas para dormir, relacionadas ao tratamento de insônia crônica, podem obter alívio com até metade da dose dos remédios atuais. A associação de placebos no plano de tratamento pode ser benéfica, segundo a nova pesquisa. Estes resultados contrastam com as práticas de prescrição, até então padrões, utilizadas para tratamento da insônia crônica.

A pesquisa foi publicada hoje na revista Sleep Medicine por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia. A discussão da pesquisa, que defende uma estratégia de dosagem menor e também um menor uso de remédios para obtenção do sono, além da alternativa de placebos, iria diminuir a quantidade de medicação necessária para manter os mesmos efeitos da dose atualmente administrada. A descoberta permite que o indivíduo possa potencializar seus ganhos clínicos, com relação ao tratamento da insônia, e ao mesmo tempo sofra menos com os efeitos secundários e os custos de uma prescrição mais “encorpada”.

Sobre a insônia crônica

A insônia crônica é caracterizada pela dificuldade em adormecer ou manter o sono por, pelo menos, três noites na semana, por um período de, no mínimo, um mês.

“Os efeitos clínicos de pílulas para dormir não necessariamente duram “para sempre”, e o uso a longo prazo aumenta o risco de dependência psicológica e efeitos colaterais, incluindo sonolência diurna, náuseas e dor muscular”, disse o autor sênior do estudo, Michael Perlis. “Nossa pesquisa descobriu que a mudança do padrão da indústria para a terapia de manutenção pode manter as respostas ao tratamento e diminuir a incidência de efeitos colaterais.”

O modelo do estudo

O estudo envolveu 74 adultos que sofrem com insônia crônica. Eles foram tratados com 10 mg de zolpidem para dormir durante quatro semanas. Os grupos foram randomizados em três grupos de dosagem, durante 12 semanas: uma dose noturna de 10 mg ou 5 mg, “dosagem intermitente” de 10 mg de 3 a 5 dias por semana, ou “reforço parcial” através de comprimidos noturnos no qual metade era composta de cápsulas de 10 mg e a outra metade era composta por cápsulas de placebo.

Todas as três estratégias foram eficazes em manter a capacidade das pessoas em dormir e manter o sono. Porém, aqueles inclusos no grupo de dosagem intermitente dormiram pior e relataram mais sintomas do que os indivíduos dos outros grupos.

Pacientes e empresas farmacêuticas agradecem

Os autores vêem os resultados como um caminho que foge à tendência de aumento da dose ao longo do tempo, tornando o uso desses medicamentos potencialmente mais seguros, a longo prazo, com o benefício adicional (no caso de dosagem todas as noites com doses de 5 mg ou 10 mg intercaladas com placebos) de ser até 50% menos caro. Essas economias poderiam ajudar tanto os consumidores como as empresas farmacêuticas (como os pacientes tomariam uma maior porcentagem de placebos, a margem de lucro seria maior).

“A dose total pode ou não ser necessária para obter o efeito inicial,” disse Perlis, “mas, certamente, à medida que o efeito se mantém, a medicação é diminuída.”

VIAScience Daily
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Daniela Malagoli
Graduada em Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Mestranda do Programa da Pós-Graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação (Faculdade de Educação) da UFU. Apresentadora de telejornal, consultora de comunicação e colunista do Blog MeuCérebro.

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