Para bom entendedor meia avra basta

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Entendeu?

Será que basta mesmo? Melhor ser um bom entendedor ou seria melhor que fôssemos bons explicadores? Existe uma corrente de pensamento, denominada minimalista. Ela diz: menos é mais. A expressão da subjetividade humana alcançou um nível tão sofisticado que hoje qualquer interpretação é válida. Desenho um círculo: para fulano é uma bola. Para ciclano, uma roda. Beltrano afirma que é um anel. A mente humana trama em média 70.000 pensamentos por dia. O número de associações mentais possíveis é difícil de dizer.

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Será que basta mesmo? (fonte: leonard-sevilhano.blogspot.com)

Mas o problema é que essa subjetividade que se utiliza de artifícios mínimos tem produzido uma falsa ideia de compreensão. Reconhecemos o objeto ou o estímulo que gerou o discurso, mas a interpretação em cada mente leva a ideias e pensamentos variados, e eventualmente antagônicos. Um bom exemplo disso é o conteúdo gerado pela mídia. Muitas vezes, o significado atribuído não passa perto do pretendido, e a comunicação fica prejudicada. Não só perde em significado como pode ser causa de desentendimento, erros de interpretação e preconceito. Quando lançamos uma ideia no ar, desde que aprovada, imediatamente concordamos com suas diversas interpretações. Aliás, até defendemos o direito a essa pluralidade de interpretações, receosos de sermos taxados de censuradores. Ser vago passou a ser sinônimo de cultura e inteligência.

Voltaire dizia: O segredo para aborrecer as pessoas consiste em dizer tudo. Isso explica em parte porque não estamos acostumados a dizer claramente o que pensamos, o que queremos. Mas o principal problema em exigir das pessoas o entendimento do todo com um mínimo de explicação é o mal entendido. A percepção extrapola os limites do fato real.

Não é possível que vou ter que dizer de novo? Vou ter que escrever para você entender? Insultos, preconceitos, desejos erroneamente interpretados, aconselhamentos errados. Para evitá-los, deve-se ter em mente que comunicação é muito mais do que se diz. Comunicação é acima de tudo o que os outros entendem.

Comunicação de fato é difícil e erros de interpretação acontecem com frequência. Será que os preconceitos surgem desse mesmo jeito? Leia esse artigo e descubra o que esses assuntos têm em comum.
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Leonardo Faria
Neurocirurgião que atua na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Membro-sócio titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Idealizador e CEO do site Meu Cérebro.
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Sinceramente, gostei muito da abordagem, já perdi relacionamentos pela falta de compreensão, aliás, quantas vezes quisemos nos explicar e a pessoa não quis ouvir. É, adorei a abordagem. Ela é válida ao ponto de que a disposição para ouvir tem tornado-se cada vez mais rasa, também pela correria do dia, ou falta de interesse. Tudo precisa ser pontuado, para que tenha real entendimento. O sentido da palavra precisa muitas vezes ser colocado em pauta para que sejamos claros e jutos ao comunicarmo-nos.

Interessantíssimo sua abordagem.
Grande Abraço
Vitor