Vacinas causam autismo?

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A história remonta 3 linhas principais para o surgimento do mito. O uso de timerosal como conservante vacinal, as catástrofes por intoxicação com mercúrio e o aumento na prevalência do autismo no fim do século XX.

Você já deve ter ouvido falar dessa relação. Inclusive pela onda de “anti-vacinação” que vem ocorrendo atualmente no mundo. Mas, será que realmente as vacinas causam autismo? Ao que tudo indica, não. Para entender melhor isso, alguns autores reuniram evidências históricas da “epidemia autista” e de sua relação com a prática vacinal.

Como tudo começou

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vacina autismo
vacina causa autismo?

[/column][column]A história remonta 3 linhas principais para o surgimento do mito. O uso de timerosal como conservante vacinal, as catástrofes por intoxicação com mercúrio e o aumento na prevalência do autismo no fim do século XX.[/column]

Desde a primeira descrição do autismo, por volta de 1948, várias teorias foram criadas para explicar seu surgimento. De visões psicanalíticas de mães frias e distantes (as “mães geladeiras”), a visões puramente biomédicas, até que surgiu a visão atual da condição como um transtorno do neurodesenvolvimento. Ela traz o autismo como uma condição que não é causada por algum evento biológico ou psicológico pontual, mas um processo multifatorial e, como tal, passível de intervenção (mesmo que não existam relatos de “cura” verdadeira). Com isso, a comunidade começou a ter mais consciência de que era necessário um diagnóstico precoce e instituições de ensino que trabalhassem com as necessidades desses pacientes, a fim de que se desenvolvessem da melhor maneira possível. Resultado: a maior pressão para pesquisa e diagnóstico aumentou a identificação dos casos de autismo já existentes, aumentando sua prevalência.

Ao mesmo tempo, ocorriam ao redor do mundo, casos graves de intoxicação por mercúrio. Atualmente, o ambiente é claramente contaminado com esse metal, que está presente até mesmo no que comemos (inclusive, em peixes). As crianças afetadas, em especial durante seu desenvolvimento fetal, apresentavam quadros neurológicos de grande retardo mental, com dificuldade cognitva, de memória e de fala.

Na mesma época, estava em ascensão o uso das vacinas na prevenção de diversas doenças. Para evitar infecções bacterianas após a aplicação, os produtores começaram a usar produtos antissépticos na conservação das vacinas. Um desses conservantes era o timerosal (em outras palavras, Merthiolate), que é nada mais nada menos um derivado do mercúrio.

Nem é preciso explicar detalhadamente como tudo aconteceu. Conforme os casos de autismo eram mais diagnosticados, muitos pais ainda tinham que lidar com a frustração de não conseguir atendimento médico e pedagógico adequado a seus filhos, já que a demanda era maior que a oferta de serviços. Por isso, voltaram-se à internet como forma de buscar informação e apoio de outros pais com o mesmo problema. Nisso, encontraram os grupos científicos que ainda trabalhavam com as hipóteses biomédicas do autismo (que consideram a possibilidade de agentes causais para o transtorno). Aliado à crescente preocupação com a segurança dos compostos de mercúrio das vacinas, essa procura vigorosa por uma causa e uma cura para o autismo levaram ao veredicto: as vacinas são as culpadas.

O que as pessoas não sabiam, entretanto, é que os compostos de mercúrio responsáveis pelos casos de intoxicação e aqueles presentes nas vacinas eram diferentes (metilmercúrio e etilmercúrio, respectivamente). E também não sabiam que a quantidade de mercúrio nas vacinas estava muito abaixo dos níveis tóxicos ao ser humano, de forma que as aplicações vacinais não seriam suficientes para causar intoxicação.

Tudo isso (e mais um pouco) resultou no surgimento de grandes organizações de pais e profissionais que acreditam e defendem veementemente que o autismo é causado pelo mercúrio das vacinas. E, ainda mais que isso, estimulam através de diversas formas de divulgação (até mesmo em congressos) os movimentos anti-vacinais da atualidade.

Resumindo: por que vacinas não causam autismo

Bom, basicamente, não existem provas de que as vacinas causem o autismo. Os vários estudos cientificamente bem estruturados não conseguiram reproduzir as acusações e explicações que culpam as vacinas. Além disso, o autismo é mais um processo que um evento pontual, o que diminui as chances de um evento único (como as vacinações nos primeiros 2 anos de vida) atuar como desencadeador. Estudos mostram que as alterações cerebrais que caracterizam um cérebro autista já estão presentes desde as idades mais jovens e até mesmo sugerem que elas surgem na vida intrauterina (em especial, orientadas pela genética e por fatores como idade avançada dos pais, medicações e diabetes gestacional).

E quais seriam as consequências de ser anti-vacina?

Uma das vacinas que usa o timerosal como conservante é a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). Por isso, essa tem sido a vacina mais evitada pelos mesmos grupos através de amplos movimentos anti-vacinais que vêm ocorrendo nos últimos anos. E como consequência, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, os EUA estão passando, desde 2014, por epidemias de sarampo em diversos de seus estados (doença considerada quase eliminada desde 2000). Aparentemente, a explosão de casos iniciou-se em um parque de diversões na Califórnia e a grande maioria dos afetados são crianças não vacinadas.

estudo autismo não é causado por vacina

O objetivo do texto não é fazer qualquer julgamento. Afinal, só compreende as dificuldades do autismo quem o tem ou quem é pai de uma criança com autismo. A falta de serviços de saúde e de educação adaptados e a crescente desconfiança acerca da Indústria Farmacêutica levam esses pais a buscarem outras alternativas e crenças para lidar com as condições dos filhos.

Independentemente disso, a vacinação é essencial para o crescimento saudável de uma criança. As doenças, para as quais existem vacinas, podem passar pela vida de uma pessoa sem deixar rastros, mas também podem gerar complicações, comprometer o crescimento e desenvolvimento das crianças, ou mesmo levar à morte. E, claro, podem existir vários outros fatores que favoreçam o desenvolvimento do autismo, muitos que talvez ainda não conheçamos. Contudo, o conhecimento que temos hoje nos faz acreditar fortemente que as vacinas não são parte desse grupo.

Bom, essa dúvida agora está tirada. Mas e o medo mais “popular” das mães por esses dias: a Microcefalia? Será que só o zika virus a causa? Descubra neste link.

Referências: American Journal of Public Health, Center for Disease Control and Prevention, NIH Public Access

Imagens: goo.gl/4z5eHv e goo.gl/NPSi6S

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